Festival de Músicas do Mundo 2005 - Silves 28-29-30 Julho 2005
 
MAIOR FESTIVAL de WORLD MUSIC PORTUGUÊS
Três dias de festa

Todos os anos o centenário castelo de Sines, cidade do litoral alentejano, recebeum dos mais carismáticos festivais de Verão realizados no nosso país.
Pelo sétimo ano consecutivo a Câmara Municipal daquela cidade alentejana organizou o FMM, e desta vez saltou barreiras e montou mesmo um palco na localidade de Porto Covo.
Os festejos começaram então em Porto Covo, na Praça Marquês de Pombal, com os argentinos 34 Click para AumentarPuñaladas, que debitaram um concerto de canção argentina, com grandes influências dos tangos de Carlos Gardel. Quatro guitarras e um vocalista arrecadaram a primeira grande ovação do FMM 2005. Click para Aumentar
Os concertos continuaram depois no castelo de Sines, no local habitual e a fadista Cristina Branco, a Brigada Vitor Jara e o coro Segue-me À Capela juntaram forças e deram um excelente concerto seguido por mais de 3.000 pessoas.
De seguida o grupo de Ljiljana Buttler & Mostar Sevvah Reunion vindos da Bósnia-Herzegovina, brilhou com a música típica dos muçulmanos bósnios, a que álguem já chamou “soul cigano”. Este grupo teve o mérito de levar a assistência à dança e a voltar em encore depois de muitos aplausos. Click para Aumentar
De seguida um duo extraordinário, Amadou & Marian, vindos do Mali e com uma música contagiante na bagagem, ritmos africanos, com reggae, funk e salsa. Toda a gente falava neste grupo, pela excelente música e por serem cegos de nascença. O último trabalho discográfico “Dimanche a Bamako” foi produzido pelo famoso Manu Chao.
No castelo terminaram os concertos, estima-se que estiverem dentro das muralhas cerca de 5000 espectadores e o festival continua agora na Av. Da Praia com os ciganos da Roménia Mahala Raï Banda, a darem música aos muitos jovens amantes da noite... os concertos acabam aqui perto das 4 da madrugada. Click para Aumentar
No segundo dia do festival, dois acontecimentos fora das muralhas, a palestra de mestre Hermeto Pascoal, um brasileiro de 69 primaveras, com uma vontade enorme de contar as peripécias da sua vida e de tocar. E também a cantora portuguesa Lula Pena acompanhada só com a sua viola encheu a Capela da Mesiricórdia.
Os concertos começaram às 21.30 horas como de costume e a abrir esteve o guitarrista norte americano Marc Ribot com um free-jazz e muito experimentalismo. O homem toca dobrado sobre a sua guitarra e parece que toca mais com os pés (sempre em cima dos pedais) do que com as mãos. A primeira grande ovação da noite. Click para Aumentar
Depois aparece em palco a mexicana Astrid Hadad, uma verdadeira “caixinha de surpresas” e uma das melhores artistas deste festival, pela música, pela interpretação e ainda pela mensagem politica anti-imperialista.
As canções de cabaret, tipicamente mexicanas onde só faltou uma orquestra de mariachis, para completar o set.
Para terminar no castelo, o brasileiro Hermeto Pascoal deu show, como já tinha prometido na palestra. Com uma banda de músicos virtuosos e ainda uma vocalista, o homem a quem já chamaram “feiticeiro de sons” tocou teclas, concertina e cantou. Até com um copo de água nos lábios se pode fazer música e foi isso que pudemos contatar. Uma má ligação nos cabos do piano enfureceu o mestre que descalçou o sapato e desatou às sapatadas ao pobre teclado.... músico sofre.
Na Av. Da Praia o concerto de Ba Cissoko vindo da Guiné Conacri, arrastou uma pequena multidão de curiosos de assistir a uma prestação de “kora rock”, temas de blues, jazz e reggae tocados com a harpa tradicional mandinga (kora).
No terceiro e último dia de festa em Sines, a Av. Da Praia encheu-se ainda de tarde para assistir à prestação dos japoneses Samurai 4, com música tradicional executada com koto (harpa), shamisen (banjo de três cordas) e shinobue (flauta de bambú), acompanhadas pelos tambores wadaiko.
Uma das prestações mais emblemáticas deste festival.
No castelo estiveram os marroquinos The Master Musicians of Jajouka, considerada a mais antiga banda do planeta, depois o finlandês Kimmo Pohjonen com os seus Ktu e uma música instrumental com predominância no acordeão e para terminar os irlandeses Kila com a sua música acompanhada a gaita de foles, tambores, violino, salterio, flauta e baixo. Uma banda com quase 20 anos de estrada muito interessante.
O festival terminou na Av. Da Praia com os Konono nº1 da República do Congo e muita animação. Nos três dias de festival estiveram em sines mais de 15.000 pessoas, muitas fora das muralhas só puderam assistir aos concertos pelos vários video-wall espahados pelas imediações.
Para o ano ainda será melhor.

Agradecimentos à organização da Câmara Municipal de Sines, pelo convite e hospitalidade e ainda ao Restaurante Mexilhão pelas deliciosas iguarias servidas a este humilde escriba.
Parabéns Tio Chico.

Cameraman Metalico (Texto & Fotos)