Merida Music Festival 2005 - Albergue Juvenil Municipal 29 Julho 2005
 
 
DORO - SAXON – DEEP PURPLE
Nem o Pó demoveu os Headbangers!

A convite da Magazine Espanhola HeavyRock através do Vicente Romero http://www.mariskalrock.com/ viajamos até Mérida para assistir ao MERIDA MUSIC FEST 2005 organizado por Ramon del Precinto e que nos concedeu a acreditação para o evento.

Pusemo-nos em marcha no próprio dia 29 uma vez que até Mérida se faz muito bem de carro sendo sensivelmente uns trezentos e picos Kilometros desde Lisboa.
Paragem a meio do percurso na estação de serviço de Albergaria-a-Velha para comer uma sandocha do gostoso pão alentejano e matar a sede.
Levámos na bagagem alguns albuns dos Saxon e Deep Purple para nos entreter e relembrarmos, no caso dos Saxon, a passagem que fizeram por Portugal aquando do Benfica Rock 88. Doro também não ficou esquecida, nem tão pouco os Warlock que admiramos tanto.
Hei-nos chegado a Mérida por volta das 16h00 Portuguesas, 17h00 locais. O vento começava a dar indícios das suas malandrices e o pó, mais que muito, não parecia gostar muito dos viajantes Portugueses.
Com um parque de estacionamento, empoeirado e no meio do nada, a lembrar a Zambujeira do Mar em festivais de outros tempos, a afluência não é das melhores que já vimos em cartazes deste gabarito, enfim viemos para o Mega concerto e aqui estávamos prontos para o que der e vier.
Abertura das portas às 18h30, hora local, e eis que começam a chegar os primeiros habitantes deste campo de futebol pelado onde o pó reina. Dirigem-se rápidamente para o balcão da cerveja e por incrível que pareça cada “balde” de cerveja leva ½ litrinho e pela módica quantia de 1 Euro.

A primeira banda a abrir foram os espanhois Julio Castejon (Antigo guitarrista dos Asfalto) + Los Trípodes com um rock melódico e que deu conta do recado para os poucos que até à hora de inicio se encontravam no recinto.
Julio Castejon acompanhado por Carlos Parra (Teclados), Tony Sanchez (Bateria), Paco Benitez (Guitarra) e Edu Kinderman (Baixo) tocaram temas do seu mais recente trabalho “La voz de la mañana” bem como alguns dos seus anteriores trabalhos “Hay alguien ahi” e “El Corazón de la Manzana“ mas com grande destaque para o novo album em temas como “La voz de la mañana”, “Meninos da rua”, “La chica de los cabellos rubios”, El viejo del spray entre outros.
Cerca de 1000 e poucos aguardavam ansiosamente o aparecimento das bandas para o qual pagaram antecipadamente 24,00 euros e no próprio dia 30,00 euros.
Mas eis chegada a hora de podermos ver com os nossos próprios olhos o aparecimento em palco da rainha do metal alemão.
Deixou-nos deslumbrar em temas como "Burning the Witches", “Für Immer”, “I Rule The Ruins”, “Metal Tango”, para terminar em ovação final e de encore com "All we are". Por mais ou menos uma hora e pouco de actuação em plena luz de dia todos presenciaram esta rainha do metal na melhor performance alguma vez vista e continua com as garras desde que iniciou em 1984 junto dos Warlock. Nem mesmo a intervenção sirurgica que sofreu a impediu de cantar e pular como os Headbangers que na frente do palco se encontravam a mote e bem activos. Para nosso espanto a banda apareceu com a sua formação inicial com Doro Pesch, Rudy Graf (guitarra), Peter Szigetti (guitarra), Frank Rittel (Baixista), Micha Eurich (bateria).
Foi a despedida da Rainha do Metal numa tarde que com os pouco metaleiros presentes aqueceu com a sua brilhante actuação.

Troca de material no palco e os espanhois aproveitam para dar mais uma mergulhadela na cerveja fresquinha que se vendia ali na banca a meio do empoeirado campo.
Ainda houve tempo para um remoinho enorme de pó que nos fez pensar que seria desta que o palco viria a baixo, mas felizmente foi-se para outro lado. Heavy Metal Thunder tema escolhido para a brilhante abertura, seguido por um desfile enorme de temas a destacar 20.000 Fahrenheit, Crusader, Backs To The Wall, 747 (Strangers In The Night),... até que a dada altura do concerto Biff Byford pega no set list e grita em bom tom british “This was the set list, but since I drunk so many spanish beer, from now on we improvise” e rasga-o aos pedacinhos seguem-se temas como Motorcycle Man, Wheels Of Steel, Denim And Leather, Strong Arm of the Law e Princess Of The Night que fecha este magnifico concerto com os Saxon a apresentar já algum cansaço, após quase duas horas de musica desfilada, mas a conseguirem manter o bom ritmo a que nos têm habituado ao longo destes anos todos. Na formação assistimos a Doug Scarratt (Guitarra), Jörg Michael (Bateria), Biff Byford (Voz), Paul Quinn (Guitarra), Nibbs Carter (Baixo).

A montagem do palco, para os senhores da noite, é observada com os 5000 pares de olhos que atentamente vão aguardando enquanto os roadies colocam a alcatifa vermelha lhe dão uma aspiradela rápida.
Aguarda-se ansiosamente pelo começo do concerto dos Deep Purple, um dos maiores ícones da historia do Hard Rock. Longe estão os tempos em que Ritchie Blackmore deixava em êxtase as audiências, mas a atracção de ver em directo um dos grandes nomes do Rock é uma tentação difícil de resistir.
Da formação inicial dos Deep Purple permanecem tres dos seus membros historico: Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). A eles se juntam o guitarrista Steve Morse com uma personalidade suficientemente brillante para conseguir captar a atenção dos seguidores da banda “evitando” assim a perda do seu antecessor.
A ultima peça desta formação é o teclista Don Airey, que rende a Jon Lord, personagem carismática que entretanto decidiu procurar outras expectativas para a sua vida musical. Airey, podrá ser um desconhecido para as novas gerações, mas temu m invejável background musical em bandas como Rainbow, Ozzy Osbourne, Gary Moore, entre outros.
O espectaculo tem inicio com o tema Silver Tongue que deixa a plateia de cerca de 5500 pessoas ao rubro.
Ian Gillan apresenta-se vestido de uma forma bastante simples e cantando descalço segue o infindável set de musicas para esta noite Silver Tongue , My Woman From Tokyo, I'Ve Got your Number, Lazy, Space truckin', Highway Star, Smoke On The Water, Black Night, Demon's Eye, Contact Lost seguido de solo de guitarra e que Don Airey aproveita para fazer também o gostinho ao dedo, seguem-se Strange Kind Of Woman, Perfect Strangers e concluem quase duas horas e meia de espectaculo com o tema Hush.

A destacar os excelentes solos de Steve Morse que conseguiram segurar o publico de boca aberta... PARABENS Mr. Morse!!! E a vocalização bem conseguida de Gillan. Roger Glover a fazer também uma excelente prestação no baixo... Enfim palavras para quê? Simplesmente a melhor banda de Hard Rock do Mundo.

A hard’n’Heavy gostaria de agradecer ao promotor Ramon del Precinto e ao Vicente Romero das revistas espanholas HeavyRock/Kerrang todas as facilidades concedidas para a elaboração desta reportagem.

Rui M Leal (Texto & Fotos)

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