Pavilhão Atlântico (01-04-2005)
 
   
Mark Knopfler
ao rubro

Sexta Feira à noite o Pavilhão Atlântico em Lisboa, encheu e convenceu!

Tudo começou à hora marcada, quando os assobios de impaciência já se faziam ouvir nas bancadas do Atlântico.
Nas primeiras filas, erguiam-se braços em delírio, como se o antigo líder dos Dire Straits nunca tivesse passado por Portugal.
«Estás velho!», gritou alguém ao nosso lado, mas com o mesmo carinho com que outros admiradores do guitarrista escocês batiam palmas ao som de 'Why Aye Man', a primeira música da noite.

Em palco, Mark Knopfler rodeia-se de cinco músicos nas guitarras Richard Bennett, Piano e orgão: Jim Cox e Guy Fletcher, Baixo: Glenn Worf, na Bateria: Chad Cromwell e como referência ao seu mais recente trabalho “Shangri-La” duas jukeboxes. Não há adereços nem efeitos especiais, muito menos um ecrã gigante que aproxime a estrela do público.
No entanto, ninguém parece importar-se, sobretudo quando, logo ao segundo tema, se ouve "Walk of Life". A interpretação é certeira (com o bónus do contrabaixo), o delírio generalizado e os telemóveis no ar deixam entender que, além dos que estiveram no Atlântico, muitos outros teriam feito gosto em ouvir o êxito de há 20 anos.
“Sailing To Philadelpia”, tema-título do penúltimo disco a solo de Mark Knopfler, seguida de “Sultans of Swing“ e “Romeo and Juliet”, gravada pelos Dire Straits em 1980, provam de seguida que os dedos do artista continuam amigos várias guitarras que vai tocando.
Seguindo-se um desfilar de novos temas como “Bonaparte”, “Sonny Liston”, “Donegan's Gone”, “Rudiger”, “Boom Like That” e “Speedway”.
Numa banda com apontamentos curiosos, Mark Knopfler é uma estrela reticente: musicalmente, é sobre si que recai todo o protagonismo.

Se, na maior parte dos temas, nos abstrairmos das memórias pessoais (o que sabemos sobre as canções, as recordações que nos trazem), ficamos com um conjunto de músicas fortemente marcadas pela tradição folk e com um apelo pop(ular) a puxar à dança, aos copos, aos sorrisos.
Eis que nos deixa deveras alucinados com a performance em “Telegraph Road”
E o carismático “Brothers in Arms” a obrigar aos presentes à habitual cantoria

Perante este cenário familiar, foi com menor entusiasmo que a suite de temas recentes, com Mark Knopfler sentado e bebericando chá, foi recebida pela plateia.
Não mais poderia nos deixar que para a recta final “Money For Nothing” desta vez sem Sting e “So Far Away”.

O encore fez-se em tons de azul com o tema “Local Hero” e confirmou o triunfo de Mark Knopfler e da sua banda. Enquanto assim for, não há disco obscuro que resista.

Rui M Leal (Texto & Fotos)