Esta é já a 12ª edição do SBSR, e é assumidamente um dos maiores festivais, senão o maior festival de verão em Portugal, melhorando de ano para ano, com mais atracções e cartazes mais eclécticos, misturando Heavy Metal, Rock, Pop, Reggae e Hip Hop.
Os numeros falam por si. A organização estima que vão ser consumidos mais de 200 000 litros de cerveja nos quatro dias do festival ( Só no primeiro dia "evaporaram 40 000 litros do precioso sumo de cevada ), mas como o calor aperta e o que mata a sede é a água, embora se fique pelo segundo lugar na classificação dos refrigerantes mais vendidos, foram distribuidos pelos pontos de venda mais de 20 000 litros de água. Na ementa tambem entram cachorros quentes, bifanas, hamburgers, etc... em quantidades industriais, tudo para satisfazer as necessidades dos mais de 40 000 fãs ( por dia ) das diversas bandas presentes em cartaz.
Mas vamos falar de musica, que foi afinal, o que nos fez rumar ao Parque Tejo, na Expo.
Dia 25 de Maio
18:00 H - RAMP ( Palco Super Bock )
A banda do Seixal apresentou-se no SBSR com a tarefa de abrir as hostilidades... e abriu muito bem.
Entraram logo a matar, apresentando um set-list onde misturaram temas do fabuloso "Intersection" com destaque para "All Men Taste Hell" , "Black Tie" e "Follow You" e temas novos, que realmente conseguiram atear o rastilho para a noite mais pesada do SBSR.
Dias antes deste concerto, o baterista Paulinho partiu a clavicula, mas foi muito bem substituido pelo muito consistente Daniel Cardos (Ex-Sirius) que não comprometeu e esteve muito bem.
18:45 H - DEVIL IN ME ( Palco Quinta Dos Portugueses )
São a primeira aquisição da nova editora Sons Urbanos.
São a nova coqueluche do Hardcore português, e deram um concerto bastante agressivo e enérgico, onde pudémos escutar temas como "We Stand Alone", "Fuck The World" , "Doom" e a faixa que dá o nome ao primeiro album recentemente lançado "Born To Lose".
Deixaram uma boa impressão e têm já uma vasta legião de fãs.
19:05 H - MOONSPELL (Palco Super Bock )
Os Moonspell eram uma das bandas mais aguardadas e ainda o sol brilhava quando o quinteto subiu ao palco transformado em cemitério num muito bem conseguido cenário que dava côr a mais uma brilhante actuação.
A actuação foi bem conseguida, mas podia ter sido muito mais espectacular se não tivessem sido os problemas técnicos (alheios á própria banda) logo no inicio do concerto, que fizeram os Moonspell tocar a recente "Proliferation" só com o som vindo dos monitores, tornando-se inaudivél a quem se encontrava mais distante do palco.
A actuação continuou, apesar da continuação dos problemas técnicos e dispararam a fortissima "Finistierra", que é o primeiro single retirado do mais recente album "Memorial", e foi muito bem acolhida pelo publico, bem como as seguintes "Memento Mori" e "Blood Tells". Seguiram-se mais três "Hinos" de rajada, foram eles "Opium" , "Wolfshade (A Werewolf Masquerade) e a èpica "Alma Mater".
Numa altura em que a noite já se fazia sentir e já se vislumbrava alguns efeitos do jogo de luzes, os "internacionais" fizeram soar "In And Above Men" , "From Lowering Skies" , "Luna" (cantada em dueto com Sophia, vocalista dos Cinemuerte) e a estreada num SBSR há alguns anos atrás "Fullmoon Madness", que foi o ponto final numa actuação algo atribulada, mas que nos fazem ansiar por um concerto com um set list maior.
20:10 H - TWENTYINCHBURIAL ( Palco Quinta Dos Portugueses )
Esta é uma das bandas mais experientes e mais competentes da nova vaga de bandas que fazem fusões entre o Punk/Core e o Metal.
Nesta prestação apresentaram-se em grande forma. Tocaram muitos temas do "How much will we laugh and smile”, que é o seu segundo album, e tem edicção na Europa, Médio Oriente e nos Estados Unidos, onde foram aclamados por toda a imprensa musical.
Destaque para "Octopus" e "30 minutes Journey" e para a muito bem humorada versão de "Touch Me" imortalizado pela... ( . ) ( . ) Samantha Fox.
20:30 H - SOULFLY (Palco Super Bock )
É a segunda vez em três meses que a banda de Max Cavalera pisa palcos nacionais.
Depois de estarem em Março no Garage, os Soulfly apresentaram-se no SBSR com um espectaculo muito parecido com o que deram na sala lisboeta.
Entraram com "Babylon" e desde logo agarraram o publico com as fantásticas "Seek N Strike" , "Living Sacrifice" , "Roots Bloody Roots" , "Jump/Bring It" , "I and I" , "Arise Again" , "Carved Inside" , "Zumbi" , "Front Lines".
A banda mostrou-se coesa como nos habituou, e é sempre bom ver que Marc Rizzo continua a ter um papel importante no espectaculo, executando bons solos de guitarra, solos eses que não abundam pelas bandas do genero.
Terminaram com o medley "Bleed/Tree", a inevitável "Back To The Primitive" , "Eye For An Eye", aqui com Max a ser ajudado pelo seu filho...que pelos vistos vai seguir as pisadas do pai.
Muito boa atitude de Max com um cachecol de Portugal no tripé do microfone, que intercalava uma camisola da selecção brasileira e a camisola portuguesa com o numero sete de Figo.
...Podem regressar daqui a outros três meses que a malta não se importa.
21:55 H - CINEMUERTE (Palco Quinta Dos Portugueses)
A banda de Sophia e joão Vaz, são um das apostas da Raging Planet e desta vez funcionaram como ponto de transição entre a agressividade dos Soulfly e a "doçura" dos Within Tempation.
Tiveram uma prestação consistente, fruto de alguma rodagem feita através de concertos (primeira parte dos Him no Coliseu dos Recreios, por exemplo) ou de experiência adquirida pela passagem por anteriores projectos, onde se destacam os temas "Stuck In A Moment" e "Open Book".
Quanto aos musicos, Sophia tem uma enegia que parece que nunca mais acaba, João Vaz para mim é um dos melhores baixistas portugueses, muito concentrado naquilo que faz e "saca" um som espectacular do baixo. Os mentores da banda são ajudados ao vivo por Tiago Menaia (The Temple) na guitarra e Pedro Inglês (Plot) na bateria, samples e sequenciadores.
21:55 H - WITHIN TEMPTATION (Palco Super Bock)
Foi uma das bandas mais esperadas do festival, mas nem por isso a mais concensual, no entanto agradou a todos.
Num cenário muito parecido com o que foi utilizado aquando da gravação do DVD "The Silent Force Tour", a actuação dos holandeses foi muito sóbria e é espectacular a boa disposição que Sharon Den Adel incute no publico, tanto pela sua doce voz como pela forma com que canta, sempre com o sorriso nos lábios.
Entraram ao som de "Deceiver Of Fools" e receberam um calorosa ovação. Continuaram com "Stand My Ground" , "Jillian" , "Angels" , "Forsaken" , "Memories" , a cover de Kate Bush "Running Up That Hill" , "Caged" , "The Other Half" , "Candles" , "Aquarius" , e "Ice Queen".
Actuação muito bem conseguida e a provar isso foi o perdão concedido a Sharon quando disse que "obrigado" era a unica palavra...espanhola...que conhecia. Mas retificou logo o erro e até foi motivo de risada geral (Sharon incluida).
Esperamos o regresso dos Within Temptation para um concerto em nome próprio.
23:30 H - BIZARRA LOCOMOTIVA (Palco Quinta Dos Portugueses)
Rui Sidónio, BJ , Rui Berton e Manuel Fonseca continuam a sua saga de Metal-Industrial... e continuam muito bem.
Já veteranos nestas andanças, Os Bizarra mostraram que estão em grande forma e que são a melhor banda nacional do genero.
Bastante coesos e com uma imagem (roupa feita de sacos de lixo) que resultou muito bem com a musica, parecia por vezes estarmos noutra dimensão.
Destaque para "Cada Homem" , "O frio" , "Desgraçado de Bordo".
00:00 H - KORN (Palco Super Bock)
A encerrar o primeiro dia do festival estiveram os Korn.
Sinceramente não me pareceu que a banda estivesse muito mal, mas a julgar pela reacção dos muitos fãs, a banda não esteve nos melhores dias.
Tudo bem que a idade já deve começar a pesar, já não tem aquele ar freak, agressivo e estranho que tinha em 94/95, mas não me pareceu que se tivesse reflectido assim tanto. Um dos aspectos negativos foram os interludios "secantes" entre algumas musicas e quando não havia interludios havia longas pausas entre cada tema.
Tocaram velhos clássicos com destaque para "Falling Away" , "Got The Life" , "A.D.I.D.A.S." ,"Got The Life" , "Here To Stay" e "Freak On A Leash" e tambem temas mais recentes como "See You On The Other Side" e "Twisted Transistor".
Um dos sinais de "re-invenção" dos Korn foi a inclusão musicos de sessão (mascarados de cão, cavalo e porco, que os acompanham na tourné.
Dia 26 de Maio
18:00 H - PRIMITIVE REASON (Palco Quinta Dos Portugueses)
Esta banda já nos habituou a concertos cheios de energia e em ambientes de festa, e o concerto de hoje não foi excepção, apesar do calor abrasador que se fez sentir.
O concerto poderia ser melhor, pois na altura em que começaram a tocar ainda havia muita gente a entrar no recinto...e como foram a primeira banda do dia, o publico ainda não estava suficientemente "quente", o que se revela na actuação da banda.
Tocaram "The Day Will Come" , "Shadow Man" , "Pictures In The Wall" , "Kindian" , "El Caballero" , "Hipocrita" , "Eat My Bush" e no encore "Wanea".
19:05 H - DAPUNKSPORTIF (Palco Quinta Dos Portugueses)
Mas que grande surpresa...que grande banda...foi uma das melhores surpresas do SBSR.
Com um som muito "vintage", com uma excelente presença em palco esta banda de Peniche "pegou fogo" ao palco secundário.
Destaque para o tema "I can´t Move(But My Head Runs Like A Horse)", que já passa na MTV.
Certamente para o ano já tocam no palco principal.
19:25 H - ALICE IN CHAINS (Palco Super Bock)
Era com grande expectativa que se esperava por este concerto.
Depois da morte de Layne Stanley, o carismático vocalista que sucumbiu ao vicio de heroina, era quase impossivél os Alice In Chains prosseguirem a sua carreira.
No entanto, e quando menos se esperava, o guitarrista e mentor do colectivo Jerry Cantrell anunciou o regresso da mitica banda de Seattle, com Mike Iñez no baixo, Sean Kinney na bateria e o novo vocalista, vindo dos Come With The Fall, William Duvall.
Foi arrepiante ouvir William...se fechassemos os olhos pensariamos que Layne estaria ali, tal é a semelhança da voz. Mas a presença em palco de William contrasta com a de Layne, que sempre foi muito melancólico e sombrio, ao contrário do novo vocalista, que é muito comunicador e está sempre em palco com boa disposição, vê-se que se diverte por estar ali a actuar com os Alice...chegou mesmo a dizer algumas frases em português, como : "- Muito obrigado por me deixarem cantar as musicas dos Alice In Chains"...que caiu muito bem, e "marcou mais pontos" para com os fãs portugueses.
Foram intrepertados temas como "Rain When I Die" , "Dam That River" , "We Die Young" , "Them Bones" , "It Ain’t Like That" , "Again" , "Junkhead" , "Down In a Hole" , "Rooster" , "Would?" , "Angry Chair" e "Man in the Box"....enfim, foi um desfilar de Hits que marcaram uma geração, já que os Alice In Chains foram uma das bandas impulsionadoras do movimento Grunge.
Mereciam estar um pouco mais acima no cartaz.
20:40 H - IF LUCY FELL (Palco Quinta Dos Portugueses)
Esta é mais uma das bandas "Tugas" que dispensão apresentações...e talvez mais uma que para o ano esteja no palco principal, já que nada ficam a dever ás bandas internacionais.
Tiveram uma prestação muito solida, fruto da rodagem que já têm,pois já passaram por muitos palcos nacionais.
A actuação foi baseada no seu album de estreia "You Make Me Nervous", onde misturam Punk, Hardcore e Rock...uma fusão interessante, plena de agressividade.
21:00 H - DEFTONES (Palco Super Bock)
A banda de Chico Moreno ofereceu-nos um espectaculo cheio de momentos díspares, ora calmos, ora extremamente agressivos, parecendo querer exercitar os seus demónios, mais parecendo que tinhamos entrado num carrocel mágico, tais foram os ambientes retratados neste concerto.
É certo que a voz de Chino já não é o que era, mas nem por isso esteve mal, apesar de ter desafinado nalguns momentos.
O estrado no centro do palco é já uma imagem de marca, onde Chino comanda as suas tropas.
Tocaram temas como "My Own Summer (Shove It)" , "Be Quiet And Drive (Far Away)" , "Hexagram" , "'No Ordinary Love", original de Sade e "The Chauffeur", original dos Duran Duran. Houve tempo ainda para fazer um medley final com "7Words / Root / Engine Nº9 / 7 Words".
Foi um dos melhores concertos da noite.
22:25 H - X-WIFE (Palco Quinta Dos Portugueses)
Aos X-Wife coube a árdua tarefa de servir de ponte da actuação dos Deftones para a dos Placebo.
Mas como eles não estavam ali para servir de ponte...deram um excelente concerto, pecando apenas por terem que terminar o seu set antes do tempo, facto que gerou muitos protestos por parte do publico, mas isso até jogou a favor da banda, pois foi sinal que foram bem recebidos pelo publico. No entanto foi uma vergonha a forma como terminou o concerto (que não chegou aos 20 minutos), ao ponto de "cortarem" o som do microfone. Enfim...é este o respeito que têm pelas bandas portuguesas.
22:45 H - PLACEBO (Palco Super Bock)
Foi uma das mais esperadas bandas do festival... e provaram porquê.
Foi um concerto muito intenso do principio ao fim. Brian Molko é um dos melhores front-man dos ultimos anos, pois ele é quem põe a máquina a funcionar... e foi incansavel nos agradecimentos a Lisboa e a Portugal.
Estiveram muito bem apoiados por musicos de sessão, que trocavam constantemente de instrumentos (guitarras, baixos, percussão).
Temas como "Song To Say Goodbye" , "Every You Every Me" , "Special K" , "Black-Eyed" , "Slave To The Wage" , "Bitter End" , as novas "Infra-Red" e "Song To Say Goodbye" foram recebidas calorosamente pelo publico, e para o encore guardaram "Taste in Men" e "Nancy Boy", que fecharam o concerto com chave de ouro.
00:10 H - VICIOUS 5 (Palco Quinta Dos Portugueses)
Cada concerto desta banda lisboeta é uma festa.
A mistura de Punk, Rock e Garage que esta banda faz é muito interessante e foi o que revelou a sua actuação no SBSR.
Em espirito de festa, os Vicious 5 basearam este concerto no album de estreia "Up On The Walls", que promete ser mais uma bomba lançada por uma nova banda "Tuga".
Terminaram com "Fight For Your Rights" dos Beastie Boys, que fez com que o publico se rendesse ainda mais a esta banda.
00:40 H - TOOL (Palco Super Bock)
Mais uma banda que eu nunca tinha visto ao vivo, mas a ansiedade era muita, pois toda a gente dizia que eles eram do outro mundo.
Não sei se foi da expectativa ser demasiado alta, mas o que é certo é que não os achei nada do outro mundo, apesar de serem musicos muito bons, competentes e de saberem o que estão a fazer.
Depois de algum tempo á espera, finalmente começaram um concerto onde a simbiose entre a musica e a imagem era genial, rico em atmosferas, e com Maynard muito comunicativo com o publico.
Tocaram temas do novo "10 000 Days" como "Jambi" e "Vicarious". Tocaram tambem "Stinkfist" , "The Pot" , "Forty-six And 2" , "Schism" , "Intencion" , "Right In Two" , "Sober" , "Lateralus" , "Aenima".
Foi um excelente concerto, e ficou a promessa de Maynard...voltamos no fim do ano.
Cameraman Metalico (Fotos)
Luis Figueira (Texto)