1º Festival Lagoa Burning Live - Estômbar - 6 e 7 SET 2007
 
FESTIVAL LAGOA BURNING LIVE
”...novos festivais com o objectivo de agradar a todos os diferentes públicos”
Este ano assistimos ao surgimento de novos festivais com o objectivo de agradar a todos os diferentes públicos e dinamizar localidades.
No entanto, raros são os que se preocupam em apetrechar o recinto com infra-estruturas adequadas, que todos merecemos.
O Burning Festival apresentava um cartaz bastante convidativo, afinal quase todas as bandas estavam pela primeira vez em Portugal (excepto Destruction). Só isto já deveria ser suficiente para compor a casa. Mas não foi!
O público não correspondeu ao apelo da organização e alguma culpa paira sobre o pouco apoio das localidades vizinhas na publicidade. Afinal, a acessibilidade à pequena vila algarvia de Estômbar, é boa, a sinalização logo à entrada da vila, também; o acolhimento (parques de campismo, chuveiros etc.).
Muitos dos que esperavam o cancelamento em qualquer altura, perderam uma oportunidade extraordinária. Sentimo-nos num local privilegiado, num concerto para privilegiados e com ambiente igualmente privilegiado.
No primeiro dia, os concertos começaram apenas com um ligeiro atraso e, coube aos In The Umbra, praticamente em casa, não só o privilégio de abrir este festival como de cativar o pouco público e os poucos fãs dispersos no recinto.
Apesar da pouca afluência, o Bruno (vocalista), orgulhoso e comovido, de algum modo, por conseguir ver a sua casa do palco, ofertou os fãs com um espectáculo curto mas inspirador. Além da apresentação do novo baixista, Ruben “Sardinha” (o mesmo de Deathland), pudemos ouvir tanto temas do novo álbum (ainda sem nome) como antigos “Like Ravens Neath Nighskies” e uma cover dos Motorhead “Ace Of Spades”.
Os italianos DGM, que infelizmente quase passam despercebidos em Portugal, estrearam-se em solo algarvio com grande estilo. Foram notórias algumas falhas técnicas no microfone do guitarrista (Simone Mularoni) mas, mesmo assim, isso não foi impedimento para uma actuação verdadeiramente explosiva do seu rock/power progressivo.
Ao longo de pouco mais de uma hora escutou-se um repertório baseado sobretudo no novo álbum “Different Shapes”. Batiam-se palmas, ouve olhares de aprovação.
Entre “Someday, one day”, passando pelas baladas e até “Close To You”, Titta Tani (vocalista), e os restantes membros, plantaram uma semente digna de dar frutos.

Estômbar continuava com a plateia pouco composta e isso não foi impedimento para uns Silent Force memoráveis. DC Cooper (ex-vocalista de Royal Hunt) parece que ligou o power e, bem humorado, parecia talhado para conquistar os fãs à primeira.
O quinteto alemão mostrou energia com possantes solos sob a alçada do guitarrista Alex Beyroth, as baladas “Save Me From Myself”, “Goodbye My Ghost” e os progressivos “Walk The Earth”, “Ride The Storm”.
Foi mais de uma hora e meia de boa música a potencializar um uníssono entre fãs “We want more… we want more… we want more”, pedido não recusado! Numa boa preparação para a tournée do Japão, é uma banda que já sabe bem o que pretende e fê-lo com muita energia, peso e precisão impressionantes.
Estava dado o mote para a entrada dos veteranos Destruction que, apesar de uma noite pouco inspiradora, não desiludiram os fãs. Vieram trazer a Portugal mais uma dose de puro thrash metal e um desfile de autênticos clássicos. Entre o diálogo constante com o público e uma dedicatória a Pavaroti, este primeiro dia terminou da melhor maneira e sob a alçada de muita ‘destruição sonora’.

O segundo dia avizinhou-se, mais uma vez, muito aquém das expectativas e o nível de afluência continuou a ser baixo.
Apoiados por uma pequena legião de fãs, os algarvios Deathland trouxeram-nos um thrash/speed metal bem delineado e demonstraram estar no bom caminho. Avizinha-se um futuro promissor e notou-se uma boa empatia a descurar a imaturidade que aparentam.
A competência desta jovem banda, que já havíamos conhecido em actuações anteriores, têm-se vindo a solidificar.
Logo de seguida, Moonlight Comedy, além de se estrearem em terras lusitanas, tocaram pela primeira vez num palco destas dimensões. Apesar de nervosos, no início, pontuaram momentos de claro experimentalismo e revelaram-se uma agradável surpresa capaz de provocar um turbilhão de sensações. Auto-intitulando-se de cinco actores, e sob a alçada, sobretudo, do mais recente álbum “Dorothy”, banharam a noite com um carisma sonoro invejável. Um quinteto italiano acompanhado por Andrea Scala [ Actor 5], baterista do mês em www.drumsportal.com, só poderia libertar uma aura de devoção e arrepio na espinha. O requinte vocal contagiante de Emiliano Germani (vocalista) povoou a noite com um espectáculo coeso e de tempero cativante.
No entanto, a noite aqueceu ainda mais com os Adagio.
A entrada em palco ficou marcada pela surpresa de se ouvir falar português, qualquer coisa como um arrojado – “Vamos lá Portugal!”.
A partir daí, ninguém ficou indiferente ao brasileiro Gus Monsanto (vocalista), uma voz que centrou as atenções e conquistou os sentidos. Numa atitude simpática, descontraída e interactiva, os Adagio souberam conquistar o público com classe. Sob a alçada do reconhecido guitarrista Stephan Forte, apresentaram um lote de canções na onda de um sinfónico/neo-clássico com vozes guturais a que os fãs de Symphony X não devem ficar indiferentes.
Tivemos direito à cover “Fame”, e eles a palmas intermináveis. O público suou, a movimentação foi frenética e a plateia pouco numerosa não se revelou com pouca intensidade. A energia da actuação foi suficientemente motivante para arrebatar magia e privilégio por assistirmos a um concerto destes.

No final da noite, os veteranos Primal Fear elevaram os níveis de intensidade a um patamar superior e deram uma autêntica lição de garra e perseverança. O vocalista, Ralf Scheepers, detentor de uma pujança e entrega invejáveis, ao vivo esgota todas as expectativas. Relembraram temas antigos como “Eye Of An Eagle”, o público delirou com “Metal Is Forever” e teve direito a uma amostra do recém-chegado “New Religion”.
Foram dias históricos, o “heavy metal foi rei em Estômbar”. Foi um desfile de vocalistas memoráveis e músicos impressionantes. Lamentamos a fraca afluência, mas os privilegiados fomos todos nós, os que estiveram presentes.

Torcemos que para o ano haja mais, com a mesma qualidade.

Lurdes Matos e Tiago Oliveira (texto)