Festival Paredes de Coura - 13, 14 e 15 AGO 2007
 
FESTIVAL PAREDES DE COURA
...um dos maiores festivais a nível mundial !!
CartazFESTIVAL de PAREDES de COURA 2007 Para a malta do Hard&Heavy,Paredes de Coura poderá, à primeira vista, não ser mais do que uma missa, até porque por ali pontuam sempre grupos da área alternativa e pop. Mas não é bem assim.
Temos que manter a mente aberta e no que toca a guitarradas este ano o festival teve alguns pontos de interesse, para lá de outros, naturalmente.
O que se pode dizer desde logo é que os portugueses marcaram uma presença muito, muito positiva, mesmo fora do palco principal. Born a Lion
E foi dali que vieram grandes guitarradas: Mão Morta e Blasted Mechanism no principal, MundoCão e Born a Lion no Palco Ibero Sounds. De fora foi bom ouvir Dinosaur Jr., New York Dolls e Sonic Youth.
Nota ainda muito positiva para, no palco Ibero Sounds, de um grupo vinda da Galiza: The Right Mundo CãoOns, o sempre bom e velho rock’n’roll. Nota negativa para os Mando Diao, que cancelaram o concerto à última hora.

Bom, mas concretamente o que se pode dizer de Paredes de Coura 2007?

Continua, sem dúvida, a ser um dos maiores festivais a nível mundial e o mais eclético e frequentado ao nível Ibérico.
Os festivais, ou talvez melhor, o rock’n’roll, em sentido lato, têm o dom de unir à frente do mesmo palco gentes de todos os Right Onsquadrantes estéticos e níveis etários.
Paredes não se desvia muito desta bitola, apesar de ser um festival marcadamente voltado para uma faixa etária muito jovem. Apesar disso e prova de que as novas gerações não voltaram as costas aos usos e costumes festivaleiros aparecem sempre os personagens com o qual identificamos um ou outro género musical, sempre reinventado, sempre novo.
É a pitada do tempero que nos lembra que estamos no seio da comunidade rock!
Nos últimos dois anos até São Pedro se lembrou que era rockeiro e não se fez rogado em aparecer, este ano, no segundo dia de festival. Uma chuva miudinha que de tanto bater se vai entranhando ossos adentro, mas que não faz arredar o pé aos fiéis. Não pode é dizer-se que São Pedro não tenha bom gosto, pois foi aparecer no, a nosso ver, melhor dia do festival: o dia de, Gogol Bordello, Mão Morta, New York Dolls e Dinosaur Jr.
Blasted MechanismDepois de no primeiro dia o ponto alto, mais uma vez, opinião nossa, ter estado com os Blasted Mechanism, após a prestação da área Indie/Electrónica dos New Your Pony Club e do som proto-punk(?) dos Sparta. Sempre gostei mais de ver e ouvir os Blasted Mechanism (ao vivo), do Spartaque limitar-me a ouvir os seus registos. Lamento rapazes, mas a energia da banda, a que muito ajudam os cenários e o guarda-roupa sempre de um bom gosto irrepreensível, não se sente (tanto)nos discos. Os BM colocaram o povo em alvoroço e isso é a prova de que a audiência esteve com a banda, com o seu som, a sua mensagem (seja qual for a língua em que se expresse) e é disso que vivem as actuações dos grupos.
Depois dos BM, M.I.A. e Babyshambles. Que dizer? Pela minha parte nunca dispensei em palco os instrumentos e respectivos executantes de qualquer som seja clássico seja Doom! Até respeito muito a herança Tamil da “Maya”, cujo pai lutava pela independência desta minoria no Sri-Lanka, mas daí até curtir um indivíduo a riscar discos de vinil para acompanhar duas moças que cantavam ao seu som, vai uma grande distância. Objectivamente, contudo, não pode dizer-se que M.I.A., não colocou os fãs em delírio total até levantarem pó. Pôs sim senhora!
Baby ShamblesAos Babyshambles a malta por aqui tira-lhes o chapéu, por a banda de Pete Doherty ter tido a gentileza de realizar em Paredes de Coura o único concerto fora do Reino Unido. Obrigado, os fãs agradecem. Ficamos à espera do segundo disco para ver que tal… O segundo dia de festival chegou chuvoso e para comer à colherada com os Spoon. Uns moçoilos do Texas, que tendo Spooncomeçado a sua carreira com uma sonoridade Indie, assobiam, neste momento, por essas rádios fora o seu último “Ga Ga Ga Ga Ga”, que tem uma excelente capa. Uma prestação muito boa, competente q.b. Britt Daniel veio no final confraternizar com os fãs, a quem deu autógrafos e de quem recebeu uma prendinha para que a festa continuasse nos bastidores.
Posteriormente chegou ao palco de Paredes a banda que mais pó fez levantar: os Gogol Bordello. Gogo BordelloDigo-vos uma coisa: Eugene Hütz é doido! Mais grave ainda: a doidice é contagiante. É uma espécie de maldição de que não conseguimos livrar-nos, nem que queiramos mesmo muito. Diz o Eugene que os GB tocam uma espécie de punk cigano. Seja. Por mim podem colar-lhe o rótulo que muito bem entenderem, incluindo o amigo Eugene. Isso não fará mudar a opinião que tenho dos GB: uma das melhores bandas da actualidade: divertida, mexida e nem chata nem comprida!... O concerto foi super!
Architecture In HelsinkiCiganada fora, arquitectura dentro e ainda por cima de Helsínquia. Depois dos GB, uma boa pausa para atestar junto do patrocinador oficial e matar a sede. O mínimo que pode dizer-se dos Architecture In Helsinki é que são écleticos e engraçados. Às vezes é bom desenjoar com sons menos comuns!Mao Morta
Depois da pausa para cerveja, vieram Mão Morta, New York Dolls e Dinosaur Jr. Três bandas, três estilos diferentes, mas todas muito boas… Os Mão Morta têm como front-man um homem que não é habitual ver-se nestas andanças: licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, amante desde o primeiro momento de Birthday Party e Nick Cave.
O Aldolfo, sim trato-o por tu porque andei com ele na escola, tem nas letras das músicas dos MM um local para se expressar, da forma que só quem domina a língua com um certo à vontade pode fazer. De superficial têm muito pouco (bom, a sua generalidade, não falo aqui de “Noites de Budapeste”, p. ex.), só não estou certo de que todos os fãs de Mão Morta tenham percebido isso. Os MM desfilaram uma série de temas que suscitaram a adesão do público e se saldaram num excelente concerto.
Contudo, a noite continuava e a malta mais “cota” ia ter o seu momento. Pelo menos assim parecia à primeira vista. Errado! Ou melhor, também, mas não só! Os miúdos conheciam a banda e as letras e o senhor David Johansen e o seu companheiro de luta, Sylvain Sylvain, ficaram visivelmente surpreendidos e satisfeitos com o facto. Dinossaur JrDesde o primeiro tema foi um destilar de “good old rock’n’roll “, com direito a “encore”. Quatro estrelas, pelo menos!
NYDA fechar, muito som e pouca conversa. Os Dinosaur Jr. chegaram, guitarraram, e bem, e foram-se embora quase sem dizer palavra que fosse à assistência. O rapaz, Joseph Mascis, é reservado, mas um competente guitarrista e mostrou-o à saciedade em Paredes de Coura. Do alto dos seus mais de 40 anos foi debitando decibel atrás de decibel, rodeado pelos seus amplificadores Marshall, fazendo a delícias dos amantes do som mais forte, sem concessões.
A noite terminava em beleza!
- Vamos dormir que amanhã há mais!
No último dia esperava-se casa cheia. Sem chuva e com Cansei de Ser Sexy e Sonic Youth no cartaz, era quase certo que assim fosse. Nem mais nem menos!

Linda MartiniOs portugueses Linda Martini abriram as hostilidades do dia 15 de Agosto, pelas 18 horas, e fizeram a audiência entoar os seus temas. Viu-se bem de que modos são considerados pelos seus fãs: uma multidão que se acalmava ou danava ao som da banda. Os Linda Martini deram boa conta de si.Electrenale
Electrelane: quatro miúdas giraças que tocam e de há uns tempos para cá também cantam. A Mia Clarke é um pão(zinho) de guitarrista. Entre as influências das moças contam-se Stereolab, Sonic Youth e, há quem diga, Velvet Underground. Lá foram desenrolando o seu repertório, com ecos do seu último trabalho: “No Shouts, No Calls”. Bem recebidas pelos sMiaeus fãs tiveram a amabilidade de vir cá fora tagarelar com eles, autografar tudo o que aqueles tinham à mão e fazer umas fotos para a posteridade. Missão cumprida… “but the beat goes on!”
“Beat, beat”, apresentaram-se The Sunshine Underground, a convidar à dança, à maneira de Kaiser Chiefs ou Franz Ferdinand. Por mim confesso preferir os outros. A interacção entre público e banda fez-se notar e lá foram todos abanando a carola e o que houvesse mais durante mais ou menos 45 minutos, até se estafarem…Peter Bjorn John
Ainda antes das CSS e Sonic Youth, os três suecos Peter, Bjorn & John deram boa conta de si e foi o suficiente. Xarope para a malta do metal é claro.
CSSNo entanto, a noite estava guardada para as sexy que se cansaram de ser. As CSS, com a vantagem de se expressarem em português do Brasil, foram o motor da festa. Pudera, são já um dos maiores fenómenos de ascensão meteórica no panorama pop, apesar de no início terem alicerçado a sua criatividade no facto de não saberem tocar uma só nota musical. É estranho o mundo da pop!!!
Finalmente, a loucura total: Sonic Youth. Melodia e experimentalismo sempre foram as notas dominantes na já longa obraSonic Youth dos SY. Os críticos aprenderam a respeitá-los e a reconhecer-lhe o mérito, altamente improvável, de resistirem ao passar do tempo, sem nunca fazerem concessões às estruturas melódicas habituais, adoptando sempre uma postura radical. Sobre o concerto pouco haverá a dizer. O seu som é característico e sobretudo pouco ortodoxo.
Talvez os SY tenham redefinido aquilo que as guitarras eléctricas podem efectivamente fazer.
Thurston Moore, Lee Ranaldo, Kim Gordon e Steven Shelley, fizeram do último dia do festival um “must”, um epílogo em grande, para um grande festival. Os temas foram passando um a um, com a competência e qualidade inerentes aos nomeados, em 2004, os 33º (Ranaldo) e 34º (Moore) melhores guitarristas de todos os tempos.
Só a caminho de casa ou da tenda, se notava o friozinho que aquela noite tinha trazido. Tudo o resto tinham sido elevadas temperaturas e grandes momentos.

Para o ano há mais. Assim esperamos.

ARLINDO PINTO (texto e fotos)