Prometi uma critíca imparcial e espero que os meus leitores acreditem nisso.
Também com 20 anos de carreira não ia agora manchar o meu percurso de critico musical.
Conheço alguns dos músicos pessoalmente e vi-os crescer, o Álvaro acho que o conheci imberbe e agora transformou-se num excelente músico e num homem de armas.
Gosto dos Pitch Black porque sou um fan incondicional dos norte americanos Slayer e a sua música faz-me lembrar a dos mestres do thrash.
A maneira de comporem os temas é muito parecida... os riffs amontoam-se como se fossem pedras de lego... certinhos, acutilantes, bombásticos...
A secção ritmíca é avassaladora, parece que se cavalga mesmo sem cavalo... o pescoço é que sofre, com tanto abanão...
O primeiro tema “Unicash The Hate” é um óptimo single e mostra logo o potencial da banda. As guitarras estão ponto, o baixo e a bateria também e o Hugo esmera-se em vocalizar da melhor maneira.
Depois em “Hunted” a voz cresce e quase suplanta os instrumentos. Os riffs também estão acima da média e ficam no ouvido.
Com “Change Nothing” a terceira música fica-se irremediavelmente conquistado... um verdadeiro apreciador de thrash volta à primeira música e ouve tudo de novo... estes jovens são mesmo bons. Confesso que me sinto um priveligiado a ouvir isto em primeira mão.
É um óptimo disco de thrash e a minha nota não podia ser outra...
Nota 10/10
METALLICA - "Death Magnetic"
CD Vertigo/Universal 2008
Um disco novo de Metallica é uma festa! Por variadas razões!
Até podia ser um disco mau, o importante é haver rodela nova e saber que os homens estão aí para as curvas. Por acaso o álbum até está bom. O produtor agora é outro – Rick Rubin – e as dez músicas novas escutam-se... primeiro com algum receio... depois com os ouvidos bem abertos! E escolhendo as faixas... Já conhecia a faixa “The Day That Never Comes”... agora até parece que soa melhor à sexta ou sétima audição! Confesso que fui direito a “The Unforgiven III”... e gostei!
Aquele piano soa esquisito ao principio mas depois habituamo-nos! O álbum tem de tudo... músicas longas de quase dez minutos, bom “speed-metal”, grandes riffs de guitarra, a secção ritmica está imbatível... a voz do James Hetfield é que soa um pouco apagada!
As malhas que aconselho são: “All Nightmare Long”, “The Unforgiven III”, “The Day That Never Comes”, “Suicide Redemption” e “The Judas Kiss”.
Agora é esperar que voltem na digressão do ano que vem para ouvir isto ao vivo! Grandes Metallica!
Nota 10/10
MOONSPELL – “Night Eternal”
Universal Records 2008
Os novos trabalhos de Moonspell e Opeth chegaram-nos finalmente às mãos!
Os portugueses editaram via SPV (em todo o mundo) e Universal (em Portugal) o seu nono álbum de estúdio que sucede a “Memorial” de 2006.
A banda de Fernando Ribeiro sobe assim mais um degrau na espectacular carreira iniciada em 1993.
Pelo caminho já ficaram vários músicos que por uma ou outra razão foram saindo do colectivo. O núcleo duro composto por Fernando Ribeiro (voz), Ricardo Amorim e Pedro Paixão (guitarras) e Mike Gaspar (bateria) segue o seu caminho usando as habilidades de Aires Pereira no baixo como músico convidado nos concertos, mas para gravar o novo disco a banda convidou outra estrela - Niclas Etalavuori dos Amorphis e usou o estúdio Antfarm na Dinamarca com o produtor Tue Madsen nos comandos.
O novo trabalho segue a linha de metal gótico dos discos anteriores e tem nove temas demolidores. A produção está exemplar... a banda fez um excelente trabalho de casa no seu próprio estúdio – Inferno – na Amadora, com Waldemar Sorychta e quando chegou à Dinamarca para gravar já tinham as músicas alinhavadas.
A primeira música “At Tragic Heights” tem um grande som e funciona bem como intro... depois o tema que dá o nome ao álbum “Night Eternal” soa ainda melhor.
O poder decibélico dos Moonspell é brutal e a sua técnica uma das melhores do mundo do heavy, não sendo de estranhar o convite para tantos festivais. O primeiro single escolhido foi “Scorpion Flower” a quarta música cujo video clip foi gravado na Servia.
O melhor tema deste disco é sem dúvida “First Light” o último tema.
O CD escuta-se bem do principio ao fim sem partes mortas... O site oficial da banda fica em www.moonspell.com
Nota 10/10
Roadrunner Records/Edel 2008
Por sua vez os suecos Opeth tem uma história de quase 20 anos e este é também o nono álbum de estúdio.
A banda começou como colectivo de death metal mas alterou a sonoridade para metal progressivo e usa agora muito menos a voz gutural. A banda é composta por Mikael Akerfeldt (guitarra e voz), Fredrik Akesson (guitarra), Martin Mendez (viola baixo), Per Wiberg (teclas) e Martin Axenrot (bateria). Este “Watershed” sucede a “Ghost Reveries” de 2006 e tem sete temas compostos com mestria.
Logo a abrir “Coil” é bem melódico no início mas tem partes mais pesadas e voz gutural quase no final. Depois “Heir Apparent” segue a mesma linha e “Lotus Eater” soa já mais pesada com um excelente heavy metal e influências de progressivo. O resto do CD escuta-se bem com temas melódicos como “Burden” e outros mais pesados como “Hessian Peel” e “Hex Omega”. Excelente regresso. A banda preparava-se para tocar no Festival Lagoa Burning Live, entretanto adiado por razões ainda não divulgadas.
O site oficil fica em www.opeth.com
Nota 9/10
Nuestros Derechos - “Struggling With The Dark”
CD DIY Records 2008
A música dos Nuestros Derechos é grandemente influenciada pelos mestres Slayer com uma pitada de Sick Of It All aqui e ali... Um thash-core demolidor muito técnico e que se ouve na perfeição!
Logo a abrir um petardo com o nome de “Devil’s Repent” que nos acerta no estômago e nos faz balancear a cabeça logo de seguida.
Depois “Spam” na mesma linha e com vocalização a cargo de Jerry Herrie. As linhas de guitarra estão acutilantes e a secção rítmica no ponto. Os destaques seguintes são “Nosferatu”, “Nazgul”, “Insomnia” e “Darkest Before Dawn”(instrumental).
Uma banda à moda antiga a seguir com atenção.
Nota 8/10
DAWNRIDER - "Alpha Chapter"
CD Raging Planet 2007
O disco de estreia dos Dawnrider é uma verdadeira surpresa!
Os sete temas e as duas versões de “Keep On Riding” dos Beatnicks, e “Shylock” dos Buffalo estão muito bem produzidas. Espanta-me que os estúdios portugueses já consigam sacar um som assim. O engenheiro de som foi António Pinheiro da Silva (que já trabalhou com UHF, Madredeus, Sétima Legião e Rui Veloso entre outros) e pode dizer-se que fez um ótimo trabalho. Os músicos também estão acima da média e as guitarras estão soberbas.
Os melhores temas são sem dúvida “Eagles Flying”, “Divinity Revealed”, “Lisbon Thunder”, a versão dos Beatnicks (rock português dos anos setenta) e “Shylock”.
O doom-metal é um heavy metal bastante lento, melódico e agradável ao ouvido. Há quem diga que é o verdadeiro heavy metal.
Nota 8/10
IF LUCY FELL - “Zebra Dance”
CD Rastilho Records 2008
Existem desde 2004 e são oriundos de Lisboa! Os If Lucy Fell são compostos por Hélio Morais (bateria também toca nos Linda Martini), Rui Carvalho (Guitarra), Pedro Cobrado (viola-baixo) e Makoto Yagyu (voz). A banda só com apenas uma demo editada (que vende cerca de 200 unidades em concertos da banda) cativa a atenção dos críticos e do público que assiste aos seus concertos.
Em Julho de 2005, assinam contracto pela Rastilho Records para edição do primeiro álbum de originais. O disco de estreia baptizado de “You Make Me Nervous” com 11 temas explosivos com as mais variadas influências que foram masterizados pelo mestre do hardcore espanhol, Santi Garcia, em San Feliu (Barcelona).
A banda tocou vários concertos promovendo este CD, com datas por toda a Europa e preparou o segundo “Zebra Dance” que foi gravado o ano passado nos Black Sheep Studios tendo o vocalista Makoto Yagyu produzido também. A banda passou a funcionar como quinteto com a inclusão de João Pereira nos teclados.
Ao todo a banda gravou dez temas com influências múltiplas. A música dos If Lucy Fell não é daquelas que entre à primeira audição, mas que nos leva a uma segunda mais cuidada... A sonoridade é rock, com influências de hard core mas audível e sem ter vocalização muito agressiva (apesar de Makoto berrar que se farta...). A secção rítmica é demolidora e as guitarras e teclados fazem um bom trabalho.
Logo a abrir “Fire Exits” é curta mas muito potente! Notam-se aqui e ali laivos de rock progressivo.
Os destaques vão para os temas “Marie Antoniette”, “Circus Parade”, “Dolores” e “She Lives, She Dies”. Um concerto destes jovens deve ser poderoso.
O myspace fica em www.myspace.com/iflucyfellrock
Nota 8/10
KUMPANIA ALGAZARRA - “Kumpania Algazarra”
CD GDA 2008
A banda de folk/ska/world music conseguiu editar o seu primeiro CD de originais. Há precisamente cinco anos que os Kumpania Algazarra dão música ao pessoal e no seu “press-release” adiantam-nos que não se limitam a subir aos palcos já que se dão muito bem na rua no meio do povo. A sua música é contagiante e leva invariavelmente à dança. Os Kumpania dão-se ao luxo de já terem tocado em lugares tão diferentes como a Festa Do Avante, Festa da Diversidade, já tocaram na Galiza, com os Blasted Mechanism, com as Tucanas e agora é a vez de gravarem em nome próprio.
As influências vem da música cigana que se faz nos Balcans, mas tem muito de música portuguesa e africana...
A formação é composta por Hugo Fontainhas (bateria), Helder Silva (percursão), Nuno Salvado (Biris) (acordeão), Luís (Trinta) (guitarra acústica, saxofone e voz),
Pedro Pereira (doublebass sax), Francisco (Kiko) (trombone), Ricardo Pinto (trompete) e Luís Bastolini (clarinete).
As músicas podem escutar-se em www.myspace.com/kumpaniaalgazarra
Os Kumpania Algazarra são uma festa! A sua música é alegre e leva à dança! Os doze temas do CD escutam-se de uma assentada e basta ver a agenda dos músicos para ver que tem sucesso! Um pouco por todo o país os Kumpania levam a sua música a palcos e ruas.
Dia 8 tocam em Almada e não vou perder esse concerto!
Às vezes é preciso uma banda assim para abanar o sistema.
A alegria da música cigana em alta escala!
Nota 9/10
THANATOSCHIZO - "Zoom Code"
CD My Kingdom Music/Recital 2008
A sonoridade dos Thanatoschizo é complexa! Seria fácil catalogar a banda de heavy metal progressivo, mas achamos que é muito mais do que isso.
Bebendo influências nas bandas de heavy dos anos 80 os Thanatoschizo conseguiram fundir sons que nos marcaram a todos e construir uma sonoridade única no contexto do heavy português.
A música está bem composta, os onze temas escutam-se bem e os dois vocalistas dão conta do recado sem caírem na tentação das vozes guturais, tão em moda!
O melhor dos Tanatoschizo serão por ventura as guitarras e os teclados, mas o sexteto está todo de parabéns porque a sua música é um todo... e é para no futuro ter em conta! Parabéns!
Tracklist
01. Thick ‘n’ Blurry
02. L.
03. Hereafter Path
04. (Un)bearable Certainty
05. Pleasure Pursuit
06. The Shift
07. Last of the Few
08. Pale Blue Perishes
09. Pervasive Healing
10. Nothing as it Seems
11. Awareness
Nota 10/10
GAZUA - "Convocação"
CD Edição de Autor/Raging Planet 2008
Os 10 temas do disco dos Gazua soam bem. É um rock enérgico, corrosivo e com muita adrenalina à solta!
O vocalista empenha-se a cantar e a arranhar a “seis cordas” da melhor maneira que sabe, e a secção rítmica desunha-se no acompanhamento. As influências são por demais Xutos e Censurados... mas também muito rock sulista, e punk rock dos primórdios.
Os melhores temas são sem dúvida “Se Tens Vontade de Gritar”, “Morres Devagar”, “Fazia Tudo Outra Vez”, “Sair da Escuridão”, “Mil Dedos” e “Punição”. Estes serão porventura os novos hinos da juventude portuguesa...
Se puderem não os percam ao vivo! Se a banda conseguir transpôr para o palco toda esta energia os concertos vão ser pólvora!
Nota 8/10
CREMATORY - "Pray"
CD Massacre Records 2008
Ao todo são dez temas bombásticos com um cariz orquestral que lhes confere um cunho muito agradável.
A banda de Felix continua a dar cartas no estilo muito próprio por onde enveredou. Logo a abrir “When Darkness Falls” mostra uns Crematory de grande classe e depois em “Left The Ground” seguem o mesmo andamento onde a voz melódica sobressai. Outros temas acima da média são “Alone”, “Pray”, “Just Words” e “Say Goodbye”. O que encanta mais na música dos Crematory são sem dúvida os teclados.
Uma das mais promissoras bandas de rock pesado alemão. Isto ao vivo deve render...
Tracklist
1. When darkness falls
2. Left the ground
3. Alone
4. Pray
5. Sleeping solution
6. Just words
7. Burning bridges
8. Have you ever
9. Remember
10.Say goodbye
Nota 7/10
FISH - "13th Star”
CD + DVD edição de autor 2007
O novo trabalho sucede a “Field of Crows” de 2004. Confesso que conheço pouco da carreira a solo de Fish, mas o pouco que conheço agrada-me!
As novas músicas são agradáveis e podem classificar-se de rock progressivo.
O primeiro tema “Circle Line” escuta-se bem, as guitarras estão no ponto e a voz de Fish continua fresca e muito melódica.
Os melhores temas são sem dúvida “Square Go”, “Zoe 25”, “Arc Of The Curves” e “13th Star”.
Uma bela peça de prog rock.
A produção esteve a cargo de Calum Macolm.
O DVD tem imagens de estúdio e muita informação.
Track List:
01. Circle Line
02. Square Go
03. Miles de Besos
04. Zöe 25
05. Arc of the Curve
06. Manchmal
07. Openwater
08. Dark Star
09. Where in the World?
10. 13th Star
Nota 8/10
OS MELHORES DISCOS de 2007
O ano de 2007 fica marcado pela excelente qualidade das edições discográficas. De todos os promos que recebemos escolhemos dez que nos parecem a nata do ano. Falaremos dos discos Nacionais na próxima actualização.
A lista podia ser muito maior, mas quisemos escolher realmente o melhor.
Assim o melhor CD do ano foi o de Ozzy Osbourne “Black Rain” editado pela Sony/Bmg e que deu direito a uma bonita digressão mundial com passagem por Espanha, a que assistimos. O melhor disco e um dos melhores concertos – muito bem para quem está prestes a completar 60 primaveras. Em segundo lugar os canadianos Rush com “Snakes & Arrows” editado pela Warner e com fraca distribuição em Portugal... tanto que a banda nem chegou a tocar em Lisboa. Mas o trio Lee, Lifeson e Peart estão na mesma de parabéns... o rock progressivo também!
Em terceiro lugar os norte americanos Type O Negative e o excelente “Dead Again” editado pela independente SPV, e cuja digressão passou por Lisboa, noutro grande concerto. Em quarto os Velvet Revolver com o mítico guitarrista Slash e “Libertad” editado pela Sony/Bmg... só faltou o concerto, anulado não se sabe porquê? Em quinto os Slayer e “Christ Illusion” cujo álbum é de 2006, mas que foi re-editado em 2007 com outra capa e um DVD extra. A capa de 2006 deu polémica... assistimos ao excelente concerto integrado no Monsters of Rock. Em sexto os Saxon e “Inner Sanctum” editado pela SPV. Em sétimo os grandes Manowar e “Gods of War” editado pela sua própria editora Magic Circle e distribuido pela SPV. Os Manowar estiveram o ano passado em alta ao organizarem um festival na Alemanha a preços reduzidos. Ao que parece este ano voltam! Em oitavo os Nightwish com “Dark Passion Play” editado pela Nuclear Blast. É o sexto álbum da banda que neste disco conta com uma nova vocalista - Anette Olzon. Os Nightwish tocarão em Lisboa no próximo dia 19 de Abril. Em nono os Helloween com “Gambling With The Devil” editado pela SPV. Com a fraca adesão ao concerto no Porto a banda optou por não vir a Portugal na digressão.
E para finalizar em décimo os norte americanos Fu Manchu com “We Must Obey”, que também incluiram Lisboa na digressão europeia.
Para 2008 estão previstos novos trabalhos de bandas consagradas como os Metallica, Judas Priest e Motörhead entre outros.