ENTREVISTAS 2007
 
TRABALHADORES do COMÉRCIO - Rock com pronúncia do Porto – O REGRESSO
Quase a completar 27 anos de carreira, os TRABALHADORES do COMÉRCIO, estão de volta aos discos com “Iblusson” – um CD de “roqueenderrol” – foram a primeira banda a escrever à moda do Porto.

P - Tem aparecido e desaparecido com intervalos de 10 anos. Desta vez é para ficarem?
R - Não exactamente com essa frequência, senão as contas não davam certas, mas é verdade que este projecto tem tido vai-e-vens. As razões foram várias e já são conhecidas.
A ideia é ficar e gravar outro álbum já durante o próximo ano e depois os que vierem. De resto já há uns quantos temas para incluir.
Se entretanto não nos der um enfarte ou não partirmos uma mão (o Álvaro, quase conseguiu esta última proeza, há uns meses), estaremos aqui mais outros 27 anos.

P - O novo álbum “Iblussom” foi gravado onde e com que produtor?
R - O "Iblussom" foi gravado, misturado e masterizado entre 7 estúdios em 3 países. Começamos a gravá-lo com o Nuno Meireles, que assumiu a produção do trabalho juntamente com a banda, nos estúdios The Vault, em Matosinhos, a princípios de 2006.
Dessas gravações saíram os temas "Febras de Sábadà noite" e "Cordàbida", que se editaram num single de avanço do que seria o álbum.
No fim do Verão desse ano, depois de uns quantos concertos em Portugal e na Galiza, começamos a "meter prá fita" os novos temas. Para isso fomos passar uns dias a Vigo (eu já lá estava) e tocámos ao vivo 7 dos temas a incluir.
Os estúdios Area Master têm uma acústica excelente e espaço não lhes falta, quando se quer gravar vários músicos ao mesmo tempo e conseguir boa separação.
Tal como os The Vault, são obra de Philip Newell e isso é uma garantia de êxito no trabalho. Aliás, cinco dos sete estúdios que utilizamos foram desenhados por este homem. Voltámos a Vigo passadas umas semanas para mais umas canções e, posteriormente, de volta aos The Vault, gravamos as colaborações, menos a do Rui Veloso, que foi gravada no seu estúdio em Vale de Lobo. Esse momento "romântico" que é "200 Kilos", foi conseguido nos estúdio MB de Canelas, hoje propriedade do Pedro Abrunhosa, pois o piano e o espaço eram os rigorosamente recomendados para o efeito pretendido. Recuperamos, entretanto, três gravações analógicas de 1996, feitas nos estúdios Sonoplástica do Miguel Cerqueira, ainda em fita de 16 pistas, donde saíram, quase integralmente os temas "P.Q.M.D.Q.U." e "Apunhalasta minha main" e as bases do "Loucu".
Já em Janeiro, voltámos a Vigo para gravar totalmente ao vivo, como num concerto sem público, os temas do "Cumpilatoriu". Numa tarde e parte da manhã seguinte, ficou arrumado. As misturas, excepto "Ispáncame",que foi misturado em Blackburn nos Sinister Studios por Joe Fossard, foram todas feitas nos The Vault. Parte da masterização processou-se no Metromastering da Corunha.

P - Foi difícil este contracto com a Farol?
R - Não foi um parto difícil, até porque os encontrámos muito receptivos. Como se já estivessem à nossa espera com a porta aberta... Os Trabalhadores, no fundo, são sempre um "produto" atractivo, pois têm um nicho de mercado onde praticamente não há concorrência.

P - Como pensam promover o disco?
R - Realmente promoção a este disco não tem faltado.
Nisso a Farol demonstra ser mais eficiente do que qualquer das nossas anteriores editoras, e propriamente nem somos artistas contratados mas sim licenciados com a nossa própria etiqueta Tigres de Bengala. Talvez nem sempre a promoção tenha sido a mais efectiva para o tipo de produto que "fabricamos", mas é inegável que estivemos e continuamos a aparecer em todas as televisões e na imensa maioria das rádios.
Algumas das rádios nacionais não se sentiram atraídas pelo álbum, mas eu penso que o "acosso" que fazemos reiteradamente à capital, enquanto símbolo do poder centralizado, ainda incomoda alguma gente.
Eu diria que o termo adequado é "sentem-se enrrabados", ou algo assim.

P - Tem uma digressão marcada, ou esperam pelo verão de 2008?
R - Digressões num país como Portugal, parecem-me ser uma espécie de miragem, na maioria dos casos.
A última de que tenho memória foi em 1982, quando durante quase duas semanas consecutivas percorremos teatros e cinemas ao ar livre de todo o Algarve e da costa Ocidental até à Costa Nova (Aveiro).
Nessa digressão esteve incluído o único concerto dos Trabalhadores no Rock Rendez Vous, donde se extraiu o "Sim, soue um gaijo do Pôrto" que termina o "Cumpilatoriu.
Por isso temos que acreditar que o próximo Verão nos vai trazer uma boa mão cheia de concertos por todo o país e também na Galiza. De momento foram enviados vídeos para a MTV Brasil e para a Televisão Mineirista e só aguardamos que haja alguma resposta.

P - O facto de viverem longe uns dos outros dificulta a vida da banda?
R - Já foi pior, quando a partir de 2000 o João se mudou para Londres. Ensaiar era complicado e, de resto, nos dois temas do primeiro single a sua participação foi via e-mail, como aliás se pode ler no livro que acompanha o "álbum Iblussom".
Por essa época chegar de Vigo a Matosinhos também não era pêra doce. Ou se ia pela A3, com o consequente pagamento da portagem e depois havia que atravessar o transito do Porto, ou se tinha que ir por Caminha numa viagem interminável, ainda que extremamente bela em dias de sol.
Agora, 2,30€ depois de ter entrado na A3, há um desvio para a A27 que nos leva à A28 (gratuitas por agora -- a ver o que faz o novo homem das Estradas de Portugal) e já estamos em Matosinhos.
Por isso vir ao Porto para mim não representa grande esforço e... quem corre por gosto...

P - Como é que foi a reacção do público nos concertos que tem dado?
R - Excelente. Os concertos do Cinema Batalha, Maxime, El Corte Ingles de Gaia, Casino Afifense, Casino da Figueira, La Iguana e Manteca de Vigo, El Nautico de San Vicente, Sala Nasa de Santiago, sei lá, os show-cases das FNAC.
Foi incrível. E o mais gratificante é ver como há gente de 14 ou 15 anos misturada com as outras gerações, que no nosso caso, podem chegar a ser tipos já de 50 ou 60 anos.

P - Quanto discos esperam vender e se isso é importante nos nossos dias?
R - Segundo dados que temos andamos próximos da cifra do disco de ouro, mas vai depender em parte dos leitores do DA. Isto é, que em vez de oferecerem jogos yankees para Play Station ofereçam cultura aos filhos, aos netos, maridos, namoradas, etc.
Assim que 'tá tudo a comprar o Iblussom para oferecer no Natal'.

P - Relançaram o site e apostam nas novas tecnologias. Tem muitas visitas?
R - Desde logo muitas mais do que alguma vez imaginávamos ter.
E o pessoal que vai ao blog escreve-nos e participa, o que é super divertido. As novas tecnologias estão aí e não há volta atrás.
Há que adaptar-se a elas e sacar-lhes o melhor proveito possível. Não sei se se aperceberam os que visitam o site, mas podem baixar vídeos e algumas canções. E é legal porque são NOSSAS.
Visitem sff www.trabalhadoresdocomercio.org

P - O que acham do problema dos downloads ilegais? R - A indústria discográfica não soube acompanhar o avanço da tecnologia, isto é, chupou dela o mais que pôde, quando descobriu quão barato era fabricar um CD em relação a um vinil, mas nem por isso baixou os preços.
O que fez foi encher os bolsos o mais possível: os autores continuaram a receber a mesma percentagem sobre o preço de venda às lojas e os artistas continuaram a cobrar o mesmo tipo de royalties ou, em alguns casos, menos.
Ou seja, que o diferencial entre os custos de um vinil e de um CD ficaram nos cofres das grandes multinacionais da música.
Realmente meteram o inimigo em casa, qual cavalo de Troia. Ao contrário do LP em vinil com as suas capas artísticas e altos custos de produção, impraticáveis para os "piratas", o CD, que é uma miserável rodela de fino plástico, foi habituando o consumidor a não dar tanto valor ao "embrulho" e, pior ainda, a todo o tipo de qualidade sónica. Como para cúmulo o CD pode ser copiado sem se ter que montar um laboratório de alta tecnologia, o "negócio" foi servido em bandeja aos "piratas".
Conclusão, se a música em CD tivesse tido, desde um princípio, um preço coincidente com a realidade da fabricação, talvez os consumidores já não encontrassem tanta razão para fazer downloads em mp3 (com a compressão e todos os artefactos que arruínam, mais ou menos, a produção original).
Talvez os consumidores fossem mais exigentes à hora de escolher que som querem ouvir e talvez respeitassem mais a obra intelectual, ao sentirem-se respeitados por quem a comercializa. Já agora, se a música "fosse" cultura e pagasse menos (ou nenhum) IVA, quem ia querer perder tempo no E-Mule? Mas este tema dava para outra entrevista...

P - Oferecerem uma colectânea com onze temas como bónus a quem compre o CD. É a solução para atraírem os fãs?

R - Francamente foi uma ideia da Farol, que não nos atraiu nada no início. Estávamos tão seguros da qualidade do novo trabalho e do impacto que ia causar que revisitar os velhos temas nos pareceu uma redundância. Afinal funcionou como forma de divulgar o passado da banda e para nós foi um excelente exercício para recriar alguns destes temas e tocá-los agora ao vivo com uma sonoridade muito mais actual do que a que tinham.
Seguramente teríamos tido menos paciência com essas canções, não fora a necessidade de as gravar de novo. Ao mesmo tempo, um dos maiores gozos que sempre tivemos foi o de fazermos versões de nós próprios.

P - Para quando a volta dos Arte & Oficio? Seria viável?

R - Isso é uma pergunta para um ex-elemento dos A&O. Não sei nada desse tema...
Olá, Sou o Serjom dos A&O. Pois esse projecto foi tão especial e tão sério, que há que pensar bem antes de cometer erros graves e "sujar" essa aura de quase exoterismo que abrange os 8 anos de existência da banda.
O A&O foi, provavelmente, a melhor banda de ROCK que houve em Portugal, numa época em que o rock se identificava de forma genuína com movimentos e com filosofias de vida, ou seja antes que o tentassem plastificar nos 80 e O utilizassem para anunciar produtos financeiros ou cuecas para meninos.
Por isso creio que o melhor que pode acontecer ao projecto A&O é ver uma reedição do seu trabalho discográfico em CD.
Mas para isso é fundamental que várias editoras se ponham de acordo e, pior que tudo, que encontrem o espólio da banda no meio da confusão dos seus armazéns.

P - Deixem uma palavra aos leitores do DA e da Hard'n'Heavy e também as próximas datas de concertos?
R - O que me vem imediatamente à cabeça é desafiar os alentejanos para que proponham aos promotores locais que levem o espectáculo dos Trabalhadores do Comércio às várias localidades durante o próximo Verão.
Este ano, como no ano passado, as minhas férias foram passadas em herdades alentejanas dedicadas ao turismo rural.
Eu pessoalmente sou um 'flipado' pelo Alentejo e em Agosto fui pessoalmente oferecer um álbum à responsável da cultura da Câmara de Alcácer do Sal, na expectativa de podermos participar no Festival da Juventude da cidade.
Nós não somos uma banda de grandes festivais. Realmente este ano declinámos algum convite nesse sentido.
Preferimos de longe o contacto mais directo com as gentes. Divertimo-nos todos muito mais: Nós e o público.

E já agora um ABRASSU a todos os leitores do DA e da Hard'n'Heavy.

AM
SEAN RILEY & The Slowriders - Rock and roll com laivos folk...
1 Conta a história da banda em poucas palavras?
2 Foi difícil juntar o trio? Já se conheciam?
3 Quem foi o compositor principal?

R - Primeiro comecei por escrever canções sozinho. Mais tarde, conheci o Bruno e decidi mostrar-lhe uma dessas canções no estúdio da RUC, onde ambos fazíamos um programa de rádio. Ele tinha um pequeno estúdio caseiro, para onde começamos a ir gravar ao final da noite. Mais tarde eu e o Filipe tornámo-nos amigos e passado algum tempo estávamos constantemente a tocar em minha casa. Começamos a gravar coisas juntos na RUC e depois com o Bruno, no estúdio dele.

4 Quais são as influências de Sean Riley? R - Entre nós temos muitas influências… algumas delas bastante diferentes. Temos no entanto muito território comum, ainda assim, só uma parte muito pequena desse território passou para este disco. É mais fácil, ouvindo o disco, perceber que gostamos de Smog, Spiritualized, Davey Graham, Love, Songs: Ohia, Velvet Underground, Bob Dylan ou Townes Van Zandt do que, por exemplo, Cramps, Cypress Hill, Ravi Shankar, Godspeed You Black Emperor ou Charlie Parker.

5 Foi difícil arranjar contracto discográfico?
R - Não, de todo. Na verdade, foi-nos oferecido após o nosso primeiro concerto.

6 Onde gravaram e com que produtor?
R - Começamos por gravar em Tentúgal com o Wout Straatman. Depois gravamos mais dois temas nos estudios da Valentim com o Nelson Carvalho.

7 Até onde pensam chegar com este disco?
R - Até onde for possível, até onde nos deixarem.

8 Já planearam a digressão?
R - Sim. Neste momento já apresentámos o “Farewell” em Coimbra, Aveiro, Porto, e Lisboa. Seguem-se Leiria, Rio Maior, Marinha Grande, Guimarães, Vila Real...

9 Planos para o futuro?
R - Para já, tocar o máximo e o melhor possível em Portugal. A seguir, ultimar alguns contactos que já temos para começar a fazer concertos lá fora para o inicio do próximo ano.

10 Uma palavra para os leitores da Diário do Alentejo e já agora para a Hard’n’Heavy online?
R - Um grande abraço para todos, e encontrar-vos-ei por aí em breve!

AM
MÃO MORTA - Em tempo de mudança...
A banda de rock portuguesa MÃO MORTA é uma das mais importantes no panorama underground. Desligados das grandes editoras, e agora com uma editora própria, já gravam outras bandas e preparam-se para um musical – OS CONTOS de MALDOROR – que visitará Portalegre dia 19 deste mês... Sobre este concerto estivemos à conversa com Adolfo Luxúria Canibal.

P – Como é que tem corrido a vida aos Mão Morta ultimamente?
R - Maravilhosamente! Passámos o último ano e meio em processo criativo, paulatinamente a construir aquilo que vai constituir o nosso novo espectáculo, e quando isso acontece, quando o trabalho criativo, com os seus avanços e recuos e impasses, se desenrola sem pressões e em harmonia colectiva, o sentimento é de felicidade!... Pelo meio ainda fizemos alguns concertos, para manter a forma, o último dos quais, já este ano, em Paris.

P – A formação ainda é a mesma?
R - Sim, ainda é a mesma que vem do século passado.

P – Este espectáculo que agora promovem não tem um CD como complemento?
R - Todo o novo trabalho foi pensado como um espectáculo e não como um disco. No entanto, os dois espectáculos de estreia, a 11 e 12 de Maio, no Theatro Circo, em Braga, vão ser gravados e filmados e, se tudo correr sem incidentes, o material captado servirá para a edição de um CD e de um DVD.

P – Porquê?
R - Porque o tempo em que se faziam concertos para promover e vender discos já era!... O espectáculo, em si, voltou a ser o actor principal da música. Não vale a pena gastar fortunas em estúdios de gravação para obter um objecto que serve apenas para promover concertos, quando de um modo muito mais barato e mais verdadeiro se pode gravar um espectáculo e obter o mesmo objecto, que ainda por cima ganha o conteúdo suplementar de memória do vivido. Não sei se isto é o futuro, mas não tenho dúvidas que é o estado presente da música!

P – Podem adiantar em que consiste o espectáculo?
R - Definitivamente, não é um concerto rock! Mas o seu conceito também não é assim tão diferente de outros espectáculos já realizados pelos Mão Morta, como o “Müller no Hotel Hessischer Hof”. Tal como no caso do Müller, “Maldoror” é um espectáculo musical onde a palavra, isto é a literatura – neste caso o livro do Conde de Lautréamont “Os Cantos de Maldoror” –, ocupa o papel principal, ditando não só o sentido da composição como a forma da sua apresentação, de maneira que o todo ganhe uma coerência de conjunto. O recurso à encenação e à cenografia, entre outras, são técnicas, normalmente associadas à arte teatral mas que não se esgotam aí, que concorrem para encontrar essa forma passível de imprimir coerência ao espectáculo como um todo. A grande dificuldade com que deparamos foi a da transposição da complexidade e da riqueza e variedade das questões existentes no livro, e que nele são colocados a um nível estritamente literário, para uma outra linguagem e para um outro espaço. Essa dificuldade foi resolvida com o recurso a um local fechado, o palco quarto de brinquedos, onde a partir daí toda a incoerência narrativa ganha um discurso firme alicerçado no poder do faz-de-conta imaginativo infantil – assim, a narração pode estilhaçar-se em todas as direcções sem dispersão, as formas discursivas podem suceder-se sem confusão, as vozes de diferentes personagens podem concentrar-se numa só boca sem estranheza. A música, mais do que mero embrulho ambiental, participa na enorme babel do imaginário à solta, criando rupturas, provocando leituras, imprimindo ritmo e reminiscências. O resultado final é um híbrido, que ainda não é teatro mas que já não é só música.

P – Quantas datas pensam tocar? Há hipótese de tocarem nalgum festival de Verão?
R - Neste momento temos três datas fechadas, a 11 e 12 de Maio no Theatro Circo, em Braga, e a 19 de Maio no CAE, em Portalegre. Temos ainda várias datas em negociação, que se prolongam até Fevereiro de 2008, mas ainda nenhuma fechada e portanto ainda não passível de divulgação. Queremos levar este “Maldoror” ao maior número possível de locais que tenham condições técnicas para o receber, mas apresentações ao ar livre estão fora de questão. No entanto, podemos esporadicamente, em locais que não tenham condições para receber o “Maldoror”, apresentar um concerto clássico de rock & roll, como fizemos em Paris há dois meses, e é quase certo que o façamos no Festival de Paredes de Coura.

P – Para quando o próximo CD?
R - Não temos pressa, mas se as gravações dos espectáculos do Theatro Circo correrem como desejado, talvez ainda este ano.

P – Ouvimos falar num CD de tributo a Mão Morta. Sabem de alguma coisa?
R - Também ouvimos falar… Em Dezembro passado enviaram-nos simpáticamente uma cópia desse disco, para conhecimento, com a indicação de que seria editado no Natal ou no início do ano e desde aí não tivemos mais notícias.

P – Quais as últimas edições da editora Cobra?
R - O ano passado a Cobra teve uma mão cheia de edições: o disco “Isto É O Quê, Mãe?” do Erro!, de Lisboa, o disco “F de Falso” dos Houdini Blues, de Évora, o disco dos Fat Freddy, do Porto, o disco dos Jazz Iguanas, de Braga, a colectânea “Acorda!”, com sessenta bandas e projectos de todo o país, e o DVD “Müller no Hotel Hessischer Hof”, dos Mão Morta. Este ano temos na calha, para além da edição em CD e DVD do espectáculo “Maldoror”, a edição de um disco de um grupo da Marinha Grande chamado Umpletrue.

P – Uma mensagem para os leitores do DA?
Espero encontrá-los dia 19 em Portalegre…
Visitem o nosso site: www.mao-morta.org

FORMAÇÃO & DISCOGRAFIA Adolfo Luxúria Canibal – voz
Sapo – guitarra
Miguel Pedro - bateria
Joana Lomgobardi – viola baixo
Vasco Vaz – guitarra
António Rafael – teclas
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1988 – Mão Morta (LP)
1990 – Corações Felpudos (LP)
1991 – O.D. Rainha do Rock And Krawl (LP)
1992 – Mutantes S.21 (LP)
1994 – Venus Em Chamas (CD)
1994 – Cães de Crómio (CD)
1995 – Mão Morta Revisitada (CD) best of
1995 – Muller no Hotel Hessischer Hof (CD)
1998 – Há Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável (CD)
2001 – Primavera de Destroços (CD)
2003 – Caricias Malicias (CD)
2004 – Nús (CD)
2006 – Muller no Hotel Hessischer Hof (DVD)

AM
SLEAZE DEMONS - Rock’n’roll alentejano
Ainda não existem há muito tempo, mas tem a energia necessária para vencer. Tocam rock’n’roll na veia de AC/DC, The Datsuns ou Fu Manchu e procuram um lugar ao sol... amanhã tocam em Vila Nova de Milfontes, uma boa oportunidade de os ver ao vivo!
Estivemos ao telefone com um dos guitarristas que nos contou a história da banda e os projectos para o futuro.
Com esta vontade férrea alentejana, tenho a impressão de que mais tarde ou mais cedo vão vingar. Aqui está o que nos contaram:


P - Apresentem a banda? Nomes dos músicos, estão juntos desde quando? E as vossas influências?
R - Os Sleaze Demons são uma banda de rock do Litoral Alentejano, formada em finais de 2005 por pessoas que já vinham de outras bandas, algumas em comum.
Somos influenciados tanto pelo rock mais clássico, tipo AC/DC, Thin Lizzy, Motörhead, Misfits até bandas mais recentes, como The Datsuns, Danko Jones, Hellacopters, Fu Manchu, The Hives, etc. Bandas nesta onda. A formação é composta por Filipe e Carlos (guitarras), Claudio (baixo), Rui (voz) e Eduardo (bateria).

P - Foi difícil de formar a banda?
R - Isto é uma zona um bocado isolada, apesar de tudo. Estamos aqui a meio caminho entre Lisboa e o Algarve e a maior cidade que temos por perto é Beja, que é a 100 quilómetros daqui... Há por aqui mais pessoal a tocar, há actualmente, se não me engano, cerca de 6 bandas em actividade, mas não é fácil encontrar músicos dentro deste estilo. Por sorte já nos tinhamos cruzado noutras bandas e quando surgiu a idéia de criar os Sleaze Demons foi até relativamente simples encontrar a formação certa.

P - Como é que gravaram o CD, e quem produziu?
R - O CD foi gravado pelos nossos próprios meios na nossa sala de ensaios.
Temos algum material que nos permitiu fazer isso com alguma qualidade, dentro das limitações existentes, claro. Foi produzido pela própria banda. Seguimos este caminho devido à mesma razão da questão anterior.
Estando onde estamos, é complicado ir por exemplo passar uma semana a Lisboa para gravar o CD. Assim foi possível fazer as coisas com calma e o melhor que pudemos e soubemos.

P - Como é que promoveram este disco?
R - Com concertos e enviando para várias editoras e algumas revistas. Mas a maior promoção tem sido mesmo nos concertos, onde temos tido até agora reacções bastante positivas.

P - Tem dado concertos ao vivo? E onde é que vão tocar a seguir?
Temos estado a conseguir dar pelo menos um concerto por mês, o que já não é nada mau. E tocamos sobretudo fora desta zona. Os próximos concertos que temos agendados são um já no próximo sábado dia 2, numa concentração motard em Vila Nova de Milfontes, outro a 14 de Julho no Hard Bar no Barreiro com Anti-Clockwise e a 17 de Agosto numa concentração motard em São Francisco da Serra.

P - Tem site na internet? Quem é que visita o site? Deixam mensagens?
R - Agora estamos a funcionar sobretudo com o Myspace. Temos bastantes visitas um pouco de todo o lado. Deixam mensagens tanto a elogiar os concertos como o próprio som. É uma boa maneira de obter algum feedback em relação ao que fazemos. Podem visitar sempre que queiram e podem ouvir a nossa música: www.myspace.com/sleazedemons

P - E vocês visitam algum site em particular?
R - Nos dias que correm, acho que o site mais visitado deve ser mesmo o Myspace. Por um lado porque veio tornar-nos a vida muito mais fácil, já que é bastante mais simples hoje em dia encontrar lá espaços para tocar.
Por outro lado, é um excelente meio de divulgação e, como disse na questão anterior, uma boa maneira de se obter algum feedback. Depois ainda temos a hipótese de conhecer montes de bandas que de outro modo seria difícil por vezes sequer ouvir falar delas...

P - 5 discos que consideres imprescíndiveis?
R - Sem nenhuma ordem em particular:
AC/DC – Highway To Hell
Thin Lizzy – Jailbreak
The Datsuns – The Datsuns
Danko Jones – We Sweat Blood
Fu Manchu – King Of The Road

P - Mensagem para os leitores da Hard’n’Heavy?
R - Queria agradecer o apoio de todos os nossos amigos e pessoal que temos conhecido e com quem temos tocado, antes de mais. Sem o apoio deles não seríamos nada.
Como mensagem gostaria só de dizer que se gostarem mesmo muito do que fazem, trabalhem bastante, que as coisas depois começam a surgir por si mesmas. Sem trabalho é que é mais difícil... e Rock On!

A banda pode ser contactada para concertos por: sleazedemons@gmail.com ou pelo móvel 93.1179218
MANOWAR - Deuses da guerra
Os norte americanos Manowar estão de volta com um álbum de originais! Nove álbuns de estúdio, dois álbuns gravados ao vivo e três DVD... dá no total 9 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
Não bate records mas é uma marca ao alcance só de alguns...
Um disco novo na carreira dos “kings of metal” é uma noticia recebida sempre com grande alegria. Amados por muitos e odiados por outros tantos os Manowar sempre se pautaram por duas coisas essenciais nos tempos que correm:
manterem-se fieis ao som heavy metal que sempre caracterizou a sua música e homenagearem os seus fãs sempre que possivel.

A digressão que os trouxe à Europa para doze datas começou em Março na República Checa e terminará na Russia com um grande concerto em Moscovo no dia 7 de Abril.
Desde o principio do ano que se ouviam noticias sobre a gravação e posterior edição do nono álbum de originais dos Manowar. Primeiro foi editado um single “Sons Of Odin” em Janeiro, depois no dinal de Fevereiro foi a vez do álbum com 16 temas...
Ainda se falou que a banda podia vir a Portugal durante o Verão, mas o tamanho da produção e o material envolvido fizeram desde logo pensar o pior... Se não fosse em Abril, dificilmente voltariam este ano...
Marcámos a entrevista com a banda via fan clube e esperámos pacientemente a chamada do outro lado do Atlântico. Finalmente o vocalista Eric Adams telefonou-nos...

A ENTREVISTA

P – Bons dias Eric, o que é que nos podes contar sobre o novo álbum?
R – Olá irmão, posso dizer-te que o novo disco é um álbum conceptual com mais de uma hora de música e temas épicos sobre os deuses vikings que farão delirar os verdadeiros fãs de Manowar. Todos nos empenhamos na composição das novas músicas e quando estivemos em estúdio demos o nosso melhor, e achamos que este é um dos melhores álbuns na carreira da banda.

P – O disco vai ter edição na Europa e EUA?
R – Sim como vem sendo hábito o disco vai sair na Europa via SPV e nos EUA via Magic Circle Records. É provável que venha a ser licenciado para o Japão e América do Sul...

P – O que é que nos podes falar sobre a digressão?
R – A digressão está ainda a ser preparada, não temos nada apontado para Portugal ou Espanha. Temos datas em Março para a República Checa, Alemanha e Grécia e estamos a negociar um grande concerto para a Rússia.

P – O que é que os fãs podem esperar dos concertos?
R – Bem acho que esta digressão vai ficar na memória de todos os fãs, já que é bastante elaborada... temos duas horas e meia de espectaculo, muitos hits, muitas surpresas nunca vistas nos concertos anteriores e no final do concerto levamos toda a gente para Valhalla (a morada dos deuses) connosco. Para todos os que venham de países estrangeiros levam para casa uma t-shirt totalmente grátis.

P – Já que não podem vir a Portugal, deixa uma mensagem para os vossos fãs? Obrigado pela entrevista!
R – Nós gostariamos muito de tocar em Lisboa, sempre fomos muito bem recebidos em Portugal e lembro-me de uma sessão de autógrafos com milhares de fãs.... Para todos vocês que leem estas linhas um abraço fraterno do vocalista dos Manowar.

AM
HILLS HAVE EYES - Rumo ao futuro
São de Setúbal e eram anteriormente conhecidos como Skapula, os Hills Have Eyes apostam numa sonoridade moderna de rock, metal e uma mensagem que os jovens compreendem bem.
A banda está em promoção do disco “All Doves Have Been Killed” editado em finais de 2006. Numa animada entrevista aqui está o que nos contaram.

P - Contem nas vossas palavras o percurso dos Hills Have Eyes?
R - Os Hills Have Eyes surgiram dum anterior projecto chamado Skapula. Devido a algumas alterações na formação da banda e também às naturais alterações de mentalidade dos músicos que surgiram com o decorrer do tempo, verificámos que já não havia uma identificação da nossa parte com o conceito em que os Skapula se baseavam. Assim decidimos fazer um novo projecto mais de acordo com a formação e mentalidade actual. Na voz está o Eddie, na guitarra o China, no baixo o David Fernandes e na bateria o Pedro Pais.

P - A sonoridade sofreu alterações desde os tempos de Skapula?
R - De uma maneira geral penso que não, mas quem ouvir óbviamente consegue encontrar algumas semelhanças comparativamente aos Skapula. Mas como alguns elementos mudaram penso que alguns pormenores foram acrescentados e conseguimos fazer algumas coisas que ainda não tinhamos conseguido fazer em Skapula, em termos musicais.

P - Como conseguiram o contracto com a Recital Records?
R - Foi um processo muito natural. Nós como começamos do zero, resolvemos gravar este trabalho com muita calma e inicialmente o objectivo era só lançar a banda no mercado em termos de promoção. Com o decorrer das gravações começamos a ficar satisfeitos com o resultado e fomos mostrando algumas demos a editoras. A Recital Records mostrou-se interessada e no fim das gravações conversámos melhor e chegamos a um acordo.

P - E já agora com a independente Punk Nation Records?
R - Com a Punk Nation já foi um pouco diferente, foram eles que nos contactaram.
A Punk Nation Records é uma filial digamos assim mais rock duma editora que é a I Scream Records que está baseada nos EUA. Eles tomaram conhecimento do nosso som via myspace e contactaram-nos para ver a disponibilidade de editarem o EP na Europa inicialmente. Depois enviamos o CD e eles ficaram bastante interessados e chegamos a acordo para editar o disco no resto do mundo. O lançamento está previsto para meio de Março.

P - O que é que tem feito para promover o disco?
R - Temos feito alguns concertos em Portugal, várias entrevistas e estamos agora a planear mais concertos para Março e meses seguintes.

P - Vão fazer digressão? Em Portugal? Ou também no estrangeiro?
R - Temos cerca de sete datas para Março/Abril e esperamos fazer ainda mais algumas, relativamente ao estrangeiro após a edição do disco lá fora contamos também fazer cerca de 2 semanas na Europa a promover o mesmo.

P - Como correu a gravação do disco?
R - Como já vos disse, não tinhamos grandes objectivos para além da divulgação inicialmente. Talvez por isso tivemos alguns problemas de gravação/produção que nos fizeram demorar mais do que estávamos á espera... Estivemos longos períodos á espera de ir ao estúdio terminar as gravações e diversos problemas, mas felizmente conseguimos superar tudo isto.

P - Saiu como vocês estavam à espera? Ou melhoravam alguma coisa?
R - Sim duma maneira geral, e para primeiro trabalho dos HHE penso que saiu como estávamos a espera e ficamos contentes com o resultado final. Óbviamente existe sempre um pormenor ou outro que se alterava, mas nada significativo. Também temos que agradecer ao produtor Ricardo Espinha, que apesar dos problemas que houve no processo de gravação, nos ajudou muito e foi importante no resultado final.

P - Para quando o vosso site a funcionar?
R - Já está em construção e no máximo daqui a um mês deverá estar on-line. Provávelmente irá coincidir com o nosso retorno aos concertos neste ano. A morada é www.hillshaveeyes.net

P - Como surgiu a oportunidade de terem myspaces nos EUA, Japão, etc?
R - Hoje em dia a internet é um veículo de promoção muito importante, indispensável e impossível de ignorar. Isto nota-se em muitas actividades, a música não foge á regra. Quando colocamos a nossa página do myspace on-line, foi muito importante para fazer chegar o nosso som a várias pessoas tanto em Portugal como no estrangeiro. Foi esse o caso, pessoas dos EUA, Japão e França contactaram-nos a dizer que gostavam imenso do nosso som e que queriam ajudar a divulgar.
Propuseram então criar “myspaces” dirigidos para o pessoal desses países para que assim nos pudessem ajudar a "espalhar a palavra" sobre os HHE. Óbviamente foram ideias que nos agradaram muito e que nos deixam muito contentes em haver pessoal que goste assim de nós.

P - Uma mensagem para os leitores do DA?
R - Um grande abraço para o pessoal do Alentejo e esperamos em breve tocar na vossa região. Oiçam a nossa música em www.myspace.com/hillshaveeysmusic e deixem uma mensagem.

AM