ENTREVISTAS 2008
 
THANATOSCHIZO 2008 – por CM
P - Contem por palavras vossas os passos mais importantes da banda?
R - Eu atribuiria os nossos passos mais importantes a cada um dos lançamentos que tivemos. Se o EP “Melégnia” serviu para marcar território e para, logo aí, mostrarmos a nossa diferença, o primeiro álbum – “Schizo Level” - e, consequentemente, o primeiro contracto discográfico acabaram por ser decisivos na importância que esta banda iria assumir na nossa vida.
Entretanto chegámos a acordo com a independente inglesa Rage of Achilles (que descobriu grupos como Frost, Cult of Luna, Anaal Nathrakh ou Omnium Gatherum) para a edição do nosso segundo álbum “InsomniousNightLift” e a responsabilidade de fazer mais e melhor pesou sobre os nossos ombros. O passo seguinte foi “Turbulence” que acabou por ser o nosso álbum mais bem sucedido até à data e agora chega a vez de “Zoom Code”.
No fundo, todos estes registos foram importantíssimos porque de uma forma espontânea deram origem ao álbum seguinte. Na prática, cada um dos nossos CDs é uma resposta às experiências do álbum anterior, acrescido da vivência que entretanto registámos.

P - Têm uma invejável experiência com editoras estrangeiras. Pontos positivos e pontos negativos?
R - Todas as experiências com editoras estrangeiras têm sido positivas, até por nos permitirem perceber o estado actual do panorama musical. Houve situações menos positivas como o fim abrupto da Rage of Achilles quando nos preparávamos para lhes entregar o master de “Turbulence” ou, mais tarde, os eternos adiamentos da Burning Elf face à edição internacional desse mesmo álbum.
De qualquer forma, tudo isto serviu para nos acautelarmos e para, no presente, procurarmos discutir o melhor contrato possível com a italiana My Kingdom Music.

P - Fazem ideia de quantos álbuns já venderam no estrangeiro? E em Portugal?
R - É uma pergunta ingrata, porque ao fim de dez anos acabamos por não ter bem noção dos valores. De qualquer forma, sinto que a importância que atribuímos aos nossos lançamentos, o extremo cuidado que devotamos à embalagem, ao grafismo e a todos os pormenores têm sido bem recompensados por parte do público.
Basicamente, e perdoe-se-nos a imodéstia, as pessoas já sabem que um lançamento dos ThanatoSchizO terá pormenores de requinte e bom gosto e isso tem-se reflectido ao longo dos anos. A prova disso é o volume de pré-encomendas que temos tido do novo álbum.

P - Porque mudaram o logótipo?
R - Essencialmente sentimos que “Zoom Code” era um álbum de ruptura. Não de negação do nosso passado, mas, mais do que nunca, um álbum de mudança. Talvez o álbum da maturidade dos ThanatoSchizO.
A opção por um novo logótipo acaba por ser uma extensão estética dessa linha de pensamento e serve para marcar este registo.

P - Sentem-se confortáveis a tocar heavy progressivo? Que mais influências têm?
R - O progressivo é um estilo que nos diz imenso. Não o progressivo “masturbatório”, mas sim o progressivo “exploratório”.
Desde o início nos interessámos por explorar novos caminhos e não ficar presos a fórmulas que já foram repetidas vezes sem conta. Como todos ouvimos música tão variada (do metal ao rock progressivo, da world music ao trip hop, da electrónica ao ambient, etc) e nunca tivemos o mínimo problema em trazer essas influências para a nossa música, é natural que o resultado final acabe por espelhar essa variedade que, contudo, tentamos que tenha nexo e não conflua numa simples e imatura manta de retalhos.

P - Se tivessem de escolher uma banda de eleição para repartirem palco, quem escolhiam?
R - Penso que qualquer um dos 6 elementos de ThanatoSchizO te responderia de forma diferente a essa questão. Se tentar pensar numa banda ainda em actividade que seja unânime entre nós vêm-me à ideia os Porcupine Tree e poucas mais.

P - Costumam tocar alguma versão? Porquê?
R - Não é costume nosso. Penso que a única vez que isso aconteceu foi num concerto acústico na Fnac de Cascais onde tocámos a “Over Your Shoulder” dos Antimatter.
De qualquer forma, num concerto de ThanatoSchizO é natural haver referências a outras bandas nalgumas das jams que integramos a meio de um ou outro tema.

P - Como vai ser a digressão em 2008?
R - Estamos a planear uma série de concertos e já temos algumas datas na calha.
Vamos inclusivamente fazer algumas visitas a Espanha e talvez não nos fiquemos por aí. Basicamente estamos abertos a convites que, aliás, já nos começam a chegar nesta fase.

P - Projectos para o futuro?
R - No imediato, promover ao máximo o álbum, nomeadamente, na estrada. Em termos de projectos a médio prazo há uma série de ideias que temos estado a maturar e que, a seu tempo, trataremos de confirmar em termos públicos. Por ora, a nossa concentração está em “Zoom Code” como compreenderás.

P - Deixem uma mensagem aos nossos leitores.
R - Espero que possam dar uma oportunidade ao nosso novo álbum e, caso o apreciem, o adquiram pelos meios de distribuição normal ou através do nosso site www.thanatoschizo.com. Se procuram música desafiante e cinematográfica, provavelmente vão gostar de “Zoom Code”, o nosso manifesto artístico em 2008.

Entrevista respondida por Guilhermino Martins, guitarrista dos ThanatoSchizO.
Gazua em entrevista
São uma das novas bandas a cantar rock em português.
Com influências várias de Xutos & Pontapés a Censurados, os Gazua são a primeira formação lusa a editar em 2008.
Estivemos à conversa com o guitarrista João...

P - Conta por palavras tuas a história dos Gazua?
R - Os Gazua tiveram um arranque um pouco atribulado... A banda começou em 2003 por minha iniciativa e do Fred (ex-baixista de Censurados), e nessa altura tinhamos o Pedro Cardoso na bateria (baterista dos F.E.V.E.R, que participa neste nosso disco como convidado). Deram-se alguns concertos, e depois da saída do Fred por falta de disponibilidade para um projecto a tempo inteiro a banda sofreu algumas alterações à formação até chegar aquilo que é hoje. O Paulinho (baixista) surge através de um amigo em comum, e o Quim (baterista) trabalhava nos estúdios em que nós ensaiávamos. Desde há um ano que temos esta formação fixa, e por isso estava na hora de avançarmos para o disco.

P - Como é que surgiu o contracto com a Raging Planet?
R - A Raging Planet está apenas a distribuir o disco. A edição é de autor, e é assim porque as editoras que contactámos tinham já o seu catálogo para 2008 preenchido. De qualquer forma estamos a fazer um trabalho conjunto de promoção com a Raging e a trabalhar muito de perto com eles em todos os passos que precisamos de dar nesta fase. A Raging Planet quer alargar o seu catálogo e deixar de ter apenas bandas de metal, daí ter surgido esta colaboração.

P - Foi fácil a gravação? Ficaram contentes com o resultado?
R - Foram 18 dias intensos de estúdio que na minha opinião correram muitíssimo bem. Tinhamos o trabalho de casa feito, por isso não houve precalços. A ajudar a tudo isto, está um estúdio muito bem equipado como o Crossover em Linda-a-velha, e um excelente profissional como o Zé Pedro Sarrufo a tomar conta dos trabalhos. Estamos muito satisfeitos. Para além de tudo isto, contámos com a participação do João Pedro Almendra (vocalista dos Peste & Sida) numa das nossas músicas.

P - Vão ter festa de apresentação? E digressão nacional?
R - A Festa de lançamento vai acontecer no dia 23 de Fevereiro na Academia de Linda-a-Velha. Vai ser como jogar em casa... e como convidados especiais temos os Dalai Lume de Alvalade e mais uma banda que ainda está por confirmar. Em relação a outros concertos, vamos dia 2 de Fevereiro ao Bar Espaço dos Desastres em Lisboa, dia 23 a Sintra, temos confirmados duas idas ao Algarve, e ainda várias hipóteses não confirmadas no Norte e centro do País, para além de algumas Fnacs. Estamos só a aguardar as confirmações das datas para divulgaremos no nosso espaço do Myspace.

P - O álbum vai sair no estrangeiro?
R - Fora de Portugal, e para já, apenas vamos apontar forças para o Brasil e para a Galiza. Queremos fazer as coisas com calma e bem. Claro que seria bom chegar a outros países, mas cantando em português sabemos que não é uma tarefa fácil. Não é para nós um objectivo a curto prazo.

P - Quais são as vossas influências?
R - Eu pessoalmente estou neste momento a ouvir muito os Clash, a Patti Smith, o Wayne Kramer (ex-MC5), Thin Lizzy... o Quim sei que é fã incondicional dos Iron Maiden, Slayer... e o Paulinho ouve bandas como Discharge, AC/DC... são gostos variados, temos todos um espectro de gostos musicais muito alargado. Digamos que de uma maneira geral, somos influenciados por toda a música que se mantém fiel à sua raiz e personalidade, e sobrevive à margem da indústria mais “mainstream”.

P - Deixa uma palavra aos leitores da Hard'n'Heavy?
R - Venham conhecer os GAZUA. Em disco ou ao vivo!!

E de uma maneira geral, não fiquem em casa agarrados aos computadores... vão aos concertos, a outros espectáculos e saiam para os copos com os amigos. Um abraço a todos!!
FISH - comemorando 20 anos da edição de “Clutching At Straws” dos Marillion (onde cantou de 1982 a 1988)...
P – Fale-nos um pouco do novo trabalho?
R – Chama-se “13th Star” e por enquanto só se pode comprar na internet via sitio oficial www.the-company.com custa 15 libras. Começamos a trabalhar neste álbum o ano passado, eu o baixista Steve Vantsis e o guitarrista Frank Usher, estivemos em estúdio em Abril e conseguimos editar por conta própria em Agosto. O disco tem dez temas e neste formato digipack oferecemos um DVD extra onde se explica como gravamos em estúdio.

P – Quando vão distribuir o CD nas lojas? Por qual editora?
R – Em Fevereiro de 2008 estará nas lojas mas só o CD. Em principio deve sair sem qualquer selo.

P – O não teres uma editora certa dificulta o teu trabalho?
R – Não. De maneira nenhuma. Se o CD estiver nas prateleiras e se as pessoas souberem que editei vendo os mesmos discos. O CD pode comprar-se na internet, funciona bem assim. E esta digressão serve para divulgar as novas músicas. Nós temos uma editora própria Chocolate Frog Records...

P – E sobre a digressão? Foram muitas datas?
R – Sim foram algumas. Fizemos 60 concertos desde o Verão. Ontem tocámos em Marselha e viemos directamente para Lisboa de autocarro... Ainda temos uma data na Feira, depois em Espanha e terminamos esta digressão em meados de Dezembro. Vamos tirar umas férias curtas no Natal (eu vou para o Vietname) e em Março voltamos à estrada.

P – De que gostas mais em Portugal?
R – Conheço pouco de Portugal. Quando estamos em digressão é raro ter tempo para ver alguma coisa. Tenho de vir cá passar umas férias. O vinho é muito bom.

P – Foi verdade que voltas-te a cantar com os Marillion?
R – Sim mas foi só numa música. Foi num festival em Inglaterra.

P – Muito obrigado pela entrevista, deixa uma mensagem aos nossos leitores?
R – Eu sou o Fish, sou o vocalista, sou escocês, escutem o meu álbum novo!

AM